A Casa Branca justificou o cancelamento do encontro de Obama com Putin devido à "falta de progresso" nas relações russo-americanas. "Após cuidadosa consideração, conclui-se que as relações bilaterais com a Rússia não apresentaram progressos recentes para que uma cúpula fosse realizada no início de setembro", declarou um porta-voz de Obama em um comunicado.
A Rússia se declarou desapontada com a decisão de Obama, segundo o adjunto das Relações Exteriores Yury Ushakov. Ele acrescentou que está claro para Moscou que a decisão está relacionada ao fugitivo americano Edward Snowden, que obteve asilo na Rússia.
Ushakov acrescentou que esta situação demonstrou que os Estados Unidos ainda não estão prontos para uma relação "numa base de igualdade" com a Rússia, mas destacou que o convite para a visita de Obama continua de pé.
Cronologia do caso:
JUNHO
Dia 5: O jornal britânico The Guardian revela a existência de uma ordem da justiça secreta datada de 25 de abril, forçando o operador telefônico americano Verizon a fornecer à NSA os dados de ligações de seus clientes.
Dia 6: Os jornais Washington Post e Guardian afirmam que a NSA e o FBI solicitaram nove grandes empresas americanas da internet, incluindo Microsoft, Google, Yahoo! e Facebook, a monitorar as comunicações de internautas estrangeiros fora dos Estados Unidos (programa secreto implantado em 2007).
Dia 7: O presidente Barack Obama defende um necessário "compromisso" entre vida privada e segurança.
Dia 9: Edward Snowden, em Hong Kong desde 20 de maio, revela ser a fonte das revelações. Ele afirma que os Estados Unidos monitoram "centenas de milhares de computadores" em todo o mundo.
Dia 21: Washington anuncia ter acusado Edward Snowden de espionagem, roubo e utilização ilegal de bens governamentais e pede sua extradição a Hong Kong.
Dia 22: O ex-consultor afirma a um jornal de Hong Kong que o governo americano pirateia as companhias telefônicas de celular chinesas.
Dia 23: Edward Snowden deixa Hong Kong para Moscou. Ele é alvo de um mandato de prisão e seu passaporte é cancelado. Washington ameaça Moscou e Pequim de consequências. O Equador diz ter recebido um pedido de asilo político.
Dia 25: Edward Snowden permanece invisível. O presidente russo Vladimir Putin confirma que ele continua na zona de trânsito do aeroporto de Moscou Cheremetievo.
Dia 30: A União Europeia foi alvo da espionagem da NSA, afirma o jornal alemão Der Spiegel, com base em documentos fornecidos por Snowden.
JULHO
Dia 1º: o site WikiLeaks revela que Edward Snowden pediu asilo político a mais de vinte países, incluindo a Rússia, Equador, Venezuela, Nicarágua e França. O ex-consultor volta atrás em seu pedido de asilo a Moscou depois que Vladimir Putin impões como condição a sua permanência o fim das atividades que prejudicam seu "parceiro" americano.
Dia 2: Vários países rejeitam a solicitação de asilo (Alemanha, Brasil, Noruega, Índia, Polônia, Islândia, Áustria, Finlândia, Holanda, Espanha), seguidos pela França e Itália.
Dia 3: Suspeito de ter levado Snowden em seu avião partindo de Moscou, o presidente boliviano Evo Morales é obrigado a fazer uma escala forçada em Viena, na Áustria, após vários países europeus fecharem seu espaço aéreo.
Dia 5: Nicarágua, Venezuela e Bolívia se dizem dispostos a receber Snowden.
Dia 12: Edward Snowden declara querer pedir asilo à Rússia, a fim de poder viajar legalmente para a América Latina.
Dia 15: Putin repete ter pedido ao ex-consultor o fim das revelações.
Dia 16: Edward Snowden apresente oficialmente pedido de asilo provisório à Rússia. - 26: O ministro americano da Justiça, Eric Holder, assegura a seu colega russo que Snowden não será torturado nem condenado a morte caso retorne aos Estados Unidos, em uma carta obtida pela AFP.
Dia 31: Guardian, citando documentos fornecidos por Snowden revela a existência de um programa secreto da NSA batizado XKeyscore que permite monitorar em tempo real e-mails e os acessos de internautas a sites.
AGOSTO
Dia 1º: Edward Snowden deixa o aeroporto de Moscou Cheremetievo para um "local seguro", após ter obtido asilo temporário de um ano na Rússia, anuncia seu advogado russo.