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Após combate com separatistas, exército ucraniano abandona a cidade de Debaltsev

Ucrânia acusa pró-russos de violação ao cessar-fogo

Exército ucraniano se retirou após intensos combates na cidade de Debaltsev
Exército ucraniano se retirou após intensos combates na cidade de Debaltsev Foto : Volodymyr Shuvayev / AFP/ CP
Os rebeldes pró-russos infligiram nesta quarta-feira um novo revés militar às autoridades de Kiev, o que forçou o exército ucraniano a se retirar após intensos combates na cidade de Debaltsev, no leste separatista da Ucrânia. Os ocidentais imediatamente acusaram os separatistas de prejudicar o processo de paz violando o cessar-fogo declarado no sábado. Para os pró-russos, apoiados, segundo o governo ucraniano e os ocidentais, pela Rússia, a vitória em Debaltsev completa os avanços militares iniciados durante o verão. 

A área controlada pelos rebeldes é relativamente homogênea e faz a junção entre os territórios separatistas das regiões de Lugansk e Donetsk. Agora, a questão que se impõe é se os rebeldes vão parar seus avanços ou continuarão mais a oeste ou para o sul e Mariupol. Diante da alteração no equilíbrio de forças em terra, François Hollande, Angela Merkel, Petro Poroshenko e Vladimir Putin devem conversar nesta noite durante uma teleconferência. Já o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, pediu à Rússia que retire todas as suas forças na Ucrânia e pare com seu apoio aos separatistas.

Com o semblante sério e de uniforme militar, o presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, falou do aeroporto de Kiev para anunciar o abandono de Debaltsev antes de partir para a zona de guerra e se encontrar com os soldados exaustos que precisaram fugir da cidade. "Nesta manhã, as Forças Armadas ucranianas e a Guarda Nacional concluíram a operação de retirada planejada e organizada de nossas unidades militares de Debaltsev", disse Poroshenko.

Mais cedo, repórteres viram dezenas de tanques, veículos blindados e militares ucranianos de Debaltsev chegando em Artemivsk, a cerca de 35 quilômetros de distância. Estes veículos transportavam soldados com barba por fazer e visivelmente exaustos. A ofensiva rebelde em Debaltsev foi lançada nessa terça-feira, terceiro dia do novo cessar-fogo acordado na semana passada em negociações em Minsk entre os líderes alemã, francês, russo e ucraniano.

Número de mortos em debate

A União Europeia denunciou a tomada da cidade, que é uma "clara violação do cessar-fogo", e questionou Moscou. "A Rússia e os separatistas devem implementar imediatamente e integralmente os compromissos assumidos em Minsk", ressaltou a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini.

A Rússia é acusada de armar os separatistas e implantar tropas no leste da Ucrânia, principalmente para coordenar as operações militares separatistas. Em Riga, o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, reiterou essa acusação e exigiu que a "Rússia retire todas as suas forças do leste da Ucrânia, cesse seu apoio aos separatistas e respeite os acordos de Minsk". Já o governo alemão condenou a ação, considerando-a "muito prejudicial para as esperanças de paz".

O número de mortos em Debaltsev tem sido motivo de debate. O presidente Poroshenko evocou um balanço preliminar de 30 feridos durante a evacuação de um total de dois mil soldados, mas alguns meios de comunicação ucranianos indicaram que havia quarenta mortos. O exército informou sobre ao menos cinco soldados mortos em 24 horas. No entanto, diretor do necrotério de Artemovsk, a cerca de 30 km de Debaltsev e para onde os soldados ucranianos recuaram, informou ter recebido 13 corpos de soldados ucranianos.

Debaltsev foi por dez dias palco de combates extremamente violentos que provavelmente causaram mortes entre os milhares de civis que não puderam escapar do conflito. Petro Poroshenko reiterou na terça-feira o seu pedido a Washington por armas letais defensivas depois de uma conversa telefônica com o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.