Mundo

Após escândalos, oposição pede demissão de Berlusconi

Escutas telefônicas mostram primeiro-ministro italiano dizendo que governa "nas horas vagas"

Silvio Berlusconi (foto) foi alvo de novas denúncias
Silvio Berlusconi (foto) foi alvo de novas denúncias Foto : Alberto Pizzoli / AFP
A oposição italiana exigiu, nesse sábado, a demissão do primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, após a divulgação de escutas telefônicas nas quais ele diz, entre outras coisas, governar "nas horas vagas". Membros do governo, no entanto, acusam-nos de invadir a vida privada do líder italiano.

As escutas são as principais provas em uma investigação liderada pela promotoria de Bari contra oito suspeitos de induzir dezenas de mulheres a prostituírem-se para Berlusconi em troca de contatos de alto nível – especialmente com o grupo industrial Finmeccanica.Todos os jornais publicaram as transcrições de conversas telefônicas de Berlusconi.

Em uma delas, de primeiro de janeiro de 2009, o chefe de governo, de 75 anos, conta que as jovens brigam entre si para passar a noite com ele: "Eram 11, mas só dormi com oito, pois não podia mais." Berlusconi fez a confidência a Gianpaolo Tarantini, empresário e principal suspeito da investigação de Bari. Ele está preso desde 1º de setembro por ter recebido 850 mil euros de Berlusconi em troca de mentir aos procuradores sobre as festas noturnas que organizavam.

Em outra conversa, Berlusconi fala com Marysthell Polanco, uma jovem bailarina dominicana, cujo nome aparece também em outro caso, o Rubygate, no qual Berlusconi é julgado por prostituição de menor. Na conversa, Berlusconi se desculpa pelo pouco tempo que dedica a ela: "Sabe, Marysthell, em minhas horas vagas sou primeiro-ministro..

O Partido Democrata (esquerda), o principal da oposição, exigiu a demissão de Berlusconi e disse que a Itália, que possui graves problemas econômicos, não pode tolerar um líder "que governa em suas horas vagas". Segundo uma pesquisa recente, a popularidade de Berlusconi caiu em setembro ao menor nível histórico, a 24%.

Em resposta, o primeiro ministro enviou uma carta ao diário Il Foglio na qual afirma que não possui a menor intenção de renunciar e que espera governar até o final do mandato, em 2013. "Não fiz nada do que deva me arrepender", disse.

Bookmark and Share