Mundo

Após morte de Kirchner, Cristina diz que seguirá lutando

Ex-presidente da Argentina será velado na Casa Rosada, em Buenos Aires

Após morte de Kirchner, Cristina diz que seguirá lutando
Após morte de Kirchner, Cristina diz que seguirá lutando Foto : Daniel Garcia / AFP / CP
A presidente da Argentina, Cristina Fernández Kirchner, afirmou que seguirá lutando depois da morte de seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner (2003/2007), que morreu nesta quarta-feira. A informação é do padre católico Carlos Alvarez , que esteve ao lado dela na casa familiar de El Calafate, no sul do país.

O sacerdote contou que a presidente está demonstrando "muita força e valentia". O mandato de Cristina Kirchner finaliza em dezembro de 2011.

O corpo de Kirchner, líder do peronismo que morreu de uma crise cardíaca aos 60 anos, será trasladado a Buenos Aires, e o seu velório será realizado nesta quinta-feira na Casa Rosada, sede do governo. A celebração fúnebre, aberta ao público, começará ao meio-dia.

Condolências


A morte do ex-presidente argentino foi recebida por pesar por dirigentes de todo o mundo e seus admiradores invadiram as redes sociais para expressar suas condolências. O presidente americano Barack Obama ressaltou o significativo papel de Kirchner na vida política da Argentina.

"Em nome do povo americano, ofereço meus sentidos pêsames ao povo argentino e à presidente Cristina Fernández de Kirchner", declarou o presidente Obama na mensagem divulgada pela Casa Branca. "Néstor Kirchner desempenhou um papel significativo na vida política da Argentina e embarcou em um novo e importante projeto com a Unasul (União das Nações Sul-americanas)", acrescenta o texto.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decretou luto oficial de três dias pela morte de Kirchner, a quem definiu como um "grande aliado e fraternal amigo" em um nota de pesar. "Sempre tive em Néstor Kirchner um grande aliado e fraternal amigo. Foram notáveis seu papel na reconstrução econômica, social e política de seu país e seu empenho na luta comum na integração sul-americana", indicou o presidente brasileiro.

"Os brasileiros se associam à dor de nossos irmãos argentinos neste momento amargo. Como expressão de nossos sentimentos, decreto luto oficial de três dias', afirma a nota divulgada pela presidência da República.

A Organização de Estados Americanos (OEA), através do presidente do Conselho Permanente da organização, o salvadorenho Joaquín Maza, lamentou a notícia e enviou condolências ao povo argentino e à família Kirchner.

"Foi-se alguém indispensável. Nosso país precisava tanto deste homem que deu a vida por seu país", afirmou, por sua vez, Estela Carlotto, titular das Avós da Praça de Maio, instituição que conseguiu avanços na recuperação de netos roubados durante a ditadura (1976-1983) com apoio do governo.

Biografia


Néstor Kirchner governou a argentina de maio de 2003 a dezembro de 2007. Em 2009, ele havia sido eleito representante da província de Buenos Aires no Parlamento argentino e, desde maio de 2010, era secretário-geral da União das Nações sul-americanas (Unasul).

Kirchner ganhou projeção nacional na função de governador da província de Santa Cruz. Em meio à profunda crise vivida pelo país no início dos anos 2000, obteve a nomeação de seu partido e conseguiu vencer a disputa presidencial. Bastante popular, conseguiu ainda ajudar a eleger a mulher ao deixar o cargo.

Ao lado de Lula e Hugo Chávez, Kirchner era um dos líderes da centro-esquerda sul-americana que reaproximou o continente. Crítico do neoliberalismo, liderou a Argentina em reformas econômicas promovidas logo após ingressar na presidência, quando o país atravessara uma das piores crises de sua história.

Em pouco tempo, Kirchner promoveu reformas na estrutura política argentina, dominada pelos setores conservadores. Quanto à política externa, Kirchner reaproximou a Argentina dos vizinhos do Mercosul e se opôs à Área de Livre Comércio das Américas (ALCA).

Kirchner era considerado a verdadeira força política por trás do governo de sua esposa, que o sucedeu após o então presidente anunciar que não disputaria a reeleição - embora tivesse altos índices de aprovação ao fim de seu mandato. Ele era tido como um provável candidato a retornar à Presidência argentina, no ano que vem.

Bookmark and Share