O governo italiano decretou estado de emergência em Gênova por 12 meses, depois do desabamento da ponte que deixou 40 mortos na cidade, informou o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte. A decisão foi anunciada na prefeitura genovesa ao término de um conselho de ministros durante o qual decidiram criar um fundo de cinco milhões de euros para a cidade.
Conte decretou também um dia de luto nacional e confirmou que o governo vai revogar o contrato de concessão das rodovias da firma Autostrade, 30% de propriedade da família Benetton. As equipes de resgate trabalham sem descanso entre os blocos de cimento da ponte Morandi e os destroços dos veículos que caíram no vazio, de uma altura de 50 metros. Durante a noite, os bombeiros recuperaram nove corpos o que elevou o número de vítimas fatais que agora já chega a 40 pessoas.
As equipes de emergência resgataram 16 feridos, 12 deles em estado grave. As autoridades citaram pelo menos 10 desaparecidos. Durante a madrugada, os socorristas escutaram vozes entre os blocos de cimento, o que despertou a esperança de encontrar sobreviventes. "Durante a noite retiramos três corpos dos escombros", contou o bombeiro Emanuele Gissi. "Este é um momento muito difícil para todos porque temos um número muito elevado de vítimas. As equipes de resgate não perdem a esperança de encontrar sobreviventes, mas quanto mais o tempo passar, mais difícil será", admitiu Riccardo Sciuto, comandante de polícia da província de Gênova.
Um total de 440 pessoas foram obrigadas a abandonar suas residências e 11 edifícios da zona afetada foram evacuados pelo temor de queda de outras pilastras. Em virtude do feriado nacional de 15 de agosto, o fluxo de veículos na ponte era intenso, já que esta rodovia leva a praias e regiões de montanha.
Alguns engenheiros chamaram o desabamento da ponte de tragédia anunciada, pois desde sua construção nos anos 1960 era sinônimo de controvérsias, com direito a muitas obras caras de reforma contra as fendas e a degradação do concreto. "Houve negligência. Temos que encontrar os culpados. Isto é um escândalo. Não poderia ter acontecido", afirmou, indignado, Francesco Buccheri, de 62 anos. A "ponte doente" foi um projeto do engenheiro Riccardo Morandi, o mesmo autor da ponte General Urdaneta de Maracaibo, na Venezuela, uma das mais extensas do mundo, que caiu após o choque de um petroleiro.
Após queda de ponte, governo de Gênova decreta estado de emergência
Conselho decidiu criar fundo de cinco milhões de euros para cidade