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Apesar de terremoto, maior parte das universidades inicia aulas no Chile

Gaúcha que mora em Santiago relata como está a rotina no local

Terremoto deixou mais de 700 mortos
Terremoto deixou mais de 700 mortos Foto : Ivan Zapata/AFP
Após o terremoto ocorrido na madrugada do último sábado, a maioria das universidades de Santiago, no Chile, começou as aulas normalmente, segundo a massoterapeuta gaúcha Sandra Verônica Torres Dickes, 34 anos, natural de Butiá, que mora na capital desde 2007. Já os trens, de acordo com ela, estão trabalhando em menor escala. "No geral, na zona em que eu moro, está tudo indo bem, mas nas zonas das praias, coitados". Sandra disse que lugares que ela conheceu já não existem mais, agora são "pura areia".

A massoterapeuta relatou também falta água, verduras, frutas, farinha, açúcar, arroz e carne nos mercados. "Ontem eles estavam lotados."

Brasileiros que estavam de férias na região de Puerto Varas, no Sul do país, começaram a viagem de volta para casa. Segundo cinco hotéis contatados pela reportagem da Rádio Guaíba, os brasileiros deixaram a cidade hoje pela manhã. Os estabelecimentos que receberam a maior parte de brasileiros na região são El Greco, Terrazas Del Lago, Bellavista, Natura Patagonia e Puelche.

Entre os turistas, está o secretário da Fazenda de Porto Alegre, Cristiano Tatsch, que estava em férias com a família havia duas semanas. Ele segue de ônibus de Puerto Varas para Bariloche, na Argentina. A viagem de seis horas é a única saída para os estrangeiros na região, que apesar de ficar a 500 km do epicentro, sentiu o abalo do terremoto do fim de semana.

Em Concepción, moradores se queixam de falta d'água, comida e combustível. "Eles têm água, comida, cobertores, mas a polícia não nos deixa entrar", protestou um homem diante de um supermercado, invadido uma hora antes por moradores em busca de produtos.

"Seria bom se distribuíssem as coisas, ou se pelo menos nos vendessem", declarou Carmen Norin, de 42 anos, enquanto a polícia cercava a entrada do prédio com os vidros quebrados.

Reforços militares e policiais foram enviados para a segunda maior cidade do Chile, em razão do estado de exceção declarado no domingo pela presidente Michelle Bachelet nas regiões de Maule e Biobio. Na saída da cidade, cerca de 200 motoristas faziam fila em um posto de combustíveis para abastecer.

Mortos

O número de vítimas do terremoto de sábado no Chile subiu para 723, com 19 desaparecidos, informou o Escritório Nacional de Emergências. A presidente Michelle Bachelet chamou o tremor de "uma emergência sem paralelo na história do Chile".

Equipes de resgate descobriram sinais de vida nos escombros de um prédio de 15 andares. Vários países ofereceram ajuda às vítimas do terremoto de 8,8 graus na escala Richter.

Nesta segunda-feira, pelo menos 160 pessoas foram detidas e uma foi morta a tiros durante o toque de recolher imposto pelo governo chileno. As autoridades tentam agora evitar uma onda de saques.