A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse nesta terça-feira, 19, que os EUA usarão "toda a força" contra o regime de Nicolás Maduro, na Venezuela, horas depois de o governo americano enviar três destróieres e 4 mil marinheiros e militares para o Caribe. Em reação, Maduro anunciou a mobilização de 4,5 milhões de milicianos para combater a "ameaça dos EUA".
"Maduro não é um presidente legítimo. Ele é um fugitivo e chefe de um cartel narcoterrorista acusado nos EUA de tráfico de drogas. Donald Trump está preparado para usar toda a força americana para deter o tráfico de drogas", afirmou Leavitt a jornalistas na Casa Branca.
O deslocamento dos navios foi noticiado pela Reuters e pela CNN, na segunda-feira. A justificativa é combater narcotraficantes e cumprir a ordem de Trump, de usar força militar contra cartéis reclassificados como terroristas - são cinco grupos mexicanos (Sinaloa, Jalisco Nova Geração, Nordeste, Família Michoacán e Cartéis Unidos), um colombiano (Clã do Golfo), uma gangue de El Salvador (MS-13) e o Tren de Aragua (Venezuela).
Equipamento
Os três destróieres - USS Gravely, USS Jason Dunham e USS Sampson - são da classe Arleigh Burke, equipados com mísseis guiados pelo sistema integrado de radares e computadores Aegis. As embarcações chegarão perto da costa venezuelana entre hoje e amanhã. À agência Reuters, uma autoridade americana afirmou, sob condição de anonimato, que o pacote militar inclui ainda aviões espiões P-8, navios de guerra e pelo menos um submarino de ataque, em operações que devem se estender por vários meses em águas e espaço aéreo internacionais.
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Mobilização
Ao saber da aproximação, Maduro foi à TV para anunciar a mobilização de 4,5 milhões de milicianos. "Vou ativar um plano especial para garantir a cobertura, com mais de 4,5 milhões de milicianos, de todo o território nacional. Milícias preparadas, ativadas e armadas", disse o chavista, que chamou o deslocamento militar de "ameaças" dos EUA contra a Venezuela.
Composta por cerca de 5 milhões de reservistas, segundo dados oficiais, a milícia a que Maduro se refere foi criada pelo ditador Hugo Chávez, que morreu em 2013. O grupo tornou-se posteriormente um dos cinco componentes da Força Armada Nacional Bolivariana (Fanb). "A Venezuela defenderá nossos mares, nossos céus e nossas terras."
No início de agosto, o governo americano dobrou para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levem à prisão do ditador venezuelano, sob a alegação de que Maduro teria ligação com o narcotráfico. Ele seria o chefe do cartel dos Sóis, formado por parte do oficialato do exército venezuelano.
Bandeira
Trump fez da repressão aos cartéis de drogas um objetivo central de seu governo como parte de um esforço mais amplo para limitar a migração e proteger a fronteira sul dos EUA. A ideia de realizar operações militares fora do território americano deixou vários governos latino-americanos em alerta, especialmente o México, que padece de um trauma histórico de intervencionismo americano. A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, teve de negar várias vezes a hipótese de uma "invasão americana". Questionada ontem sobre o envio de navios dos EUA ao Caribe, ela minimizou a ameaça ao garantir que a operação será em águas internacionais. "Não é um ato de intervencionismo", disse.
Brasil
Em maio, o governo brasileiro rechaçou a sondagem feita pelos EUA para categorizar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A sugestão foi feita durante uma visita a Brasília de uma comitiva do governo americano, liderada por David Gamble, chefe interino da coordenação de sanções do Departamento de Estado dos EUA.
O argumento do governo brasileiro foi que o sistema legal nacional não considera facções criminosas como terrorismo, uma vez que a atuação desses grupos não atende a uma causa ou ideologia, mas sim à busca por lucro de atividades ilícitas.