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Arábia Saudita elege primeira mulher para conselho regional

Cidadãs tiveram a oportunidade de votar pela primeira vez no país

Cidadãs tiveram a oportunidade de votar pela primeira vez no País
Cidadãs tiveram a oportunidade de votar pela primeira vez no País Foto : AFP / CP
Na primeira eleição aberta a votação e candidatura de mulheres na Arábia Saudita, Salema bint Hizab al-Otaibi conquistou um assento no conselho de Madrakah, na região de Mecca. O anúncio foi feito por Osama al-Bar, presidente da comissão eleitoral regional. Salma disputou o assento na sua circunscrição com sete homens e duas mulheres. "A participação das mulheres nos conselhos municipais" testemunha, entre outros, "a atenção e o interesse do Estado em envolver ainda mais esses conselhos no desenvolvimento do país", disse Osama Al Bar.

"Cada passo para ter mais mulheres participando na sociedade, por meio de meios econômicos, políticos ou sociais é importante", disse Lama al-Suleiman, empresária e candidata na cidade costeira de Jeddah. "Quanto mais mulheres estiverem lá, mais sabemos que há uma representação completa da população da Arábia Saudita". 

A Arábia Saudita é uma monarquia absoluta e as eleições do conselhos regionais são a única forma de participação popular existente. O conselho, no entanto, possui poderes limitados. Eles podem aprovar orçamentos e supervisionar projetos de desenvolvimento, mas não possuem palavra final sobre como o dinheiro público é gasto.

Segregação total dos sexos durante a campanha eleitoral 

A Comissão Eleitoral, numa estrita aplicação da lei islâmica ("sharia"), impôs a segregação total dos sexos durante a campanha eleitoral e proibiu a utilização de fotografias pelos candidatos no decurso da campanha ou que pronunciassem discursos perante pessoas do outro sexo.

A medida afetou sobretudo as mulheres, menos de 10% dos eleitores registados nos cadernos eleitorais (130.637 num universo de 1.486.477), mas que pela primeira vez na história tiveram direito a voto. Foi um decreto real de 2011, ratificado pelo falecido rei saudita Abdullah bin Abdul Aziz, que permitiu às mulheres participar nas eleições municipais como candidatas e eleitoras precisamente a partir deste escrutínio.

Ao todo, 6,9 mil candidatos concorreram à 2,1 mil assentos nos concelhos locais. Do total, 979 eram mulheres. Para votação, apenas 130 mil mulheres se registraram, ante 1,36 milhão presentes no País. Muitas alegaram que o processo de registro foi complicado, já outras simplesmente disseram não ligar para as eleições.