O chefe de gabinete da Argentina, Diego Santilli, afirma que a partida do senador brasileiro e candidato à Presidência derrotado Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos a partir do território argentino foi possível porque ele estava com a documentação regular e não havia "impedimento da Interpol".
Flávio fugiu do Brasil após perder as eleições de domingo para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apesar de uma ordem judicial que o proibia de deixar o País devido a uma investigação por lavagem de dinheiro.
"Ele entrou com a documentação correspondente em ordem e acabou saindo de avião, também nas mesmas condições", disse Santilli à imprensa durante um evento oficial em Rosário, ao norte de Buenos Aires. "Não havia impedimentos da Interpol", ressaltou o ministro.
Passaporte italiano e convocações
Segundo veículos de imprensa argentinos, Flávio teria entrado na Argentina com um passaporte italiano. Ele possui essa nacionalidade desde 2023, conforme um documento do Parlamento italiano consultado pela AFP.
Santilli evitou responder à pergunta sobre se Santiago Caputo, assessor do presidente Javier Milei, esteve no aeroporto internacional de Puerto Iguazú durante a entrada e posterior saída de Flávio e sua família, como apontou uma investigação do jornal La Nación.
Parlamentares da oposição apresentaram um pedido de convocação de Santilli e de outros integrantes do governo para exigir explicações sobre o papel da Argentina na fuga.
Dos Estados Unidos, Flávio agradeceu a Milei "por sua coragem, seu senso de justiça e de legalidade". A suposta assistência do governo argentino na fuga de Flávio agravou a crise diplomática entre os dois gigantes do Mercosul.
Milei apoiou Flávio durante sua campanha presidencial e não se pronunciou sobre a reeleição do esquerdista Lula. O senador não reconheceu sua derrota eleitoral e, dos Estados Unidos, autoproclamou-se "líder do Brasil".