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Argentina assume presidência do Mercosul diante de oposição da Venezuela

Chanceler venezuelana Delcy Rodríguez manteve discurso de que seu país segue no comando do bloco

Susana Malcorra assumirá presidência em 1º de janeiro
Susana Malcorra assumirá presidência em 1º de janeiro Foto : Eitan Abramovich / AFP / CP
A Argentina assumiu nesta quarta-feira a presidência rotativa do Mercosul, diante da oposição da Venezuela, em uma reunião extraordinária de chanceleres do bloco em Buenos Aires. A informação foi confirmada pela ministra argentina de Relações Exteriores, Susana Malcorra.

"Assumi a presidência pró-tempore", disse Malcorra em uma coletiva de imprensa no Palácio San Martin, sede da chancelaria argentina, onde sua contraparte venezuelana, Delcy Rodríguez, foi sem ser convidada, sendo excluída do encontro com seus colegas de Brasil, Uruguai e Paraguai, José Serra, Rodolfo Nin Novoa e Eladio Loizaga.

A decisão ocorre depois de vencido o prazo para que a Venezuela cumprisse os requisitos administrativos, técnicos e políticos para se manter como membro pleno do bloco; e a gestão colegiada de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, fundadores do Mercosul. No entanto, após o anúncio de Malcorra, Delcy Rodríguez reiterou que Caracas se manterá na presidência rotativa do Mercosul.

Malcorra expressou seu otimismo sobre o regresso da Venezuela como membro-pleno do bloco, assim que "cumprir os compromissos básicos". "Em Montevidéu, começa com a Venezuela a aplicação do mecanismo de solução de controvérsias contemplado no protocolo de Olivos", disse a chefe da diplomacia argentina em entrevista coletiva. "Reconhecemos a divergência que há com a Venezuela, reconhecemos as enormes diferenças entre Venezuela e os sócios do Mercosul, mas estou otimista", declarou.

A chanceler argentina se reuniu com Delcy por mais de uma hora, na presença de Nin Novoa e do chanceler boliviano, David Choquehuanca. "Foi um encontro franco" e serviu de prévia para a reunião de quinta-feira, em Montevidéu, considerou Malcorra, recordando que a "Venezuela não cumpriu os compromissos assumidos quando passou a integrar o Mercosul, em 2012. Ignorou mais de 200 instrumentos" do Bloco.

Malcorra esclareceu que "o status atual da Venezuela é de cessação de participação no bloco, sem voz ou voto até que cumpra seus compromissos". "Sua situação é estar congelada. A reunião em Montevidéu será eminentemente técnica", visando orientar sobre o mecanismo de controvérsia. "Não se pode ser parte de uma organização tendo os privilégios mas ignorando as obrigações", declarou Malcorra.

A prioridade da presidência argentina do bloco será em avançar na negociação de um acordo de livre comércio com a União Europeia, sem incluir a Venezuela. Caracas "sempre foi alheia a essas negociações", declarou Malcorra. A criação da união alfandegária do Mercosul no começo da década de 90 produziu um impulso formidável às economias dos quatro países fundadores.

O comércio se multiplicou. A Argentina e o Brasil passaram a ser os maiores sócios com grandes negócios bilaterais. Porém as crises internas em ambas nações fizeram o grupo entrar na zona nublada em que se encontra.