No entanto, um grupo de ocupantes desautorizou neste sábado sua representatividade, ao afirmar que "não será aceita nenhuma negociação da qual não façamos parte". "Não vamos sair até que nos deem uma resposta. A reunião que está ocorrendo na Casa Rosada não nos representa. Nós não somos de nenhum partido político e o que queremos é um plano de habitação", disse Alejandro Salvatierra, que se apresentou à imprensa no parque como representante dos ocupantes.
Batalha campal
Na noite de sexta-feira, o Parque Indoamericano foi palco de uma verdadeira batalha campal entre moradores da região e os sem-teto, a maioria bolivianos e paraguaios. Um grupo de moradores - a maioria de classe média - atacou os sem-teto para retirá-los do Parque, queimando dezenas de barracas e deixando dezenas de feridos.
Os choques ocorreram diante da ausência quase total de policiais na região, após a morte de um boliviano e de uma paraguaia, há dois dias, durante uma operação da polícia para desalojar os sem-teto. Moradores da região também bloquearam avenidas para exigir a retirada dos sem-teto do Parque Indoamericano.
Kirchner, que anunciou na véspera a criação do ministério da Segurança, criticou a ação contra os sem-teto: "não estou disposta a ver a Argentina entrar para o clube de países xenófobos". A presidente mirava no prefeito Macri, que atribuiu os incidentes no Parque Indoamericano, sob sua jurisdição, à "imigração descontrolada" e a "organizações criminosas".