• Argentina não faz acordo com "fundos abutres" e dá calote
O ministro se referia ao juiz de Nova Iorque, Thomas Griesa, e ao mediador designado por ele, Daniel Pollack, que conduziram as negociações para achar, segundo Capitanich, um caminho para o cumprimento da sentença a favor dos fundos especulativos contra a Argentina para cobrar 1,33 bilhão de dólares, negociações que as duas partes deram por fracassadas na quarta-feira.
Capitanich acusou Griesa e Pollack de incompetência "por não respeitarem a condição soberana da Argentina, por desconhecer questões elementares e por não compreender o processo". A Argentina e os fundos especulativos não chegaram a um acordo pela disputa em torno de sua dívida soberana depois de dois dias de discussões em Nova York e da declaração de um default seletivo por uma agência de classificação de risco.
"Tentavam nos impor algo que era ilegal. A intenção era forçar uma situação ilegal. A Argentina está disposta a dialogar, a chegar a um consenso. Vamos buscar uma solução justa, equitativa e legal para 100% de nossos credores", declarou o ministro da Economia, Axel Kicillof, ao se referir às negociações pela sentença de um juiz federal americano a favor desses fundos.
A Standard & Poor's declarou a Argentina em "default seletivo" na quarta ao fim do prazo final para que pagasse 539 milhões de dólares a credores que possuem bônus reestruturados nas trocas de 2005 e 2010. Esse dinheiro foi enviado pela Argentina a Nova Iorque, mas bloqueado pelo juiz Thomas Griesa até que sua sentença fosse cumprida.
O "default seletivo" significa que o governo argentino segue honrando parte de sua dívida, mas não efetuou o pagamento de bônus específicos. O anúncio foi feito quando ainda não tinham terminado as negociações em Nova York entre o governo de Buenos Aires e os fundos especulativos, que exigem 1,33 bilhão de dólares por bônus não pagos de 2001, de acordo com a decisão de Griesa.
No dia 26 de junho, a Argentina depositou pagamentos no valor de 539 milhões de dólares aos credores da dívida reestruturada, mas o juiz Griesa bloqueou o dinheiro depositado em Nova York, vinculando sua liberação ao pagamento dos "holdouts".
Nas discussões em Nova Iorque, o governo argentino tentou convencer os fundos "holdouts" a aceitar o pagamento dos 1,33 bilhão de dólares depois do dia 1º de janeiro de 2015, quando expira a cláusula Rufo, que obriga o país a equiparar credores que aceitaram as propostas de reestruturação da dívida a qualquer outro credor que receba melhor tratamento. A Argentina também tentava obter um "stay" (medida cautelar para suspender a aplicação da decisão) para facilitar as negociações com os "holdouts" envolvendo a cláusula Rufo.