O chanceler argentino Héctor Timerman denunciou nesta sexta-feira a Grã-Bretanha ante a Organização das Nações Unidas pela militarização do Atlântico Sul, depois da decisão de Londres de enviar um destróier às Ilhas Malvinas, cuja soberania é disputada pelos dois países. "Vim às Nações Unidas para fazer uma denúncia contra a Grã-Bretanha pela militarização do Atlântico Sul", afirmou Timerman, depois de reunir-se, em Nova York, com o secretário-geral da ONU, Ban ki-Moon, a quem entregou uma cópia da carta de denúncia que enviará mais tarde ao presidente do Conselho de Segurança. "A Grã-Bretanha é, neste momento, a potência militar mais importante que existe nessa zona e recolhi dados a respeito de armas nucleares", acrescentou o chanceler argentino à imprensa.
O Reino Unido, por sua vez, voltou a negar que esteja militarizando o Atlântico Sul e insistiu que qualquer ação na ONU é assunto da Argentina. "Não estamos militarizando o Atlântico Sul", afirmou um porta-voz do ministério britânico das Relações Exteriores, respondendo sobre as declarações do secretário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, que criticou o Reino Unido pelo "tom belicista" dado em sua disputa com a Argentina.
"O tema das Falklands já é discutido anualmente no C24 (Comitê Especial de Descolonização da ONU). O Reino Unido não tem dúvidas sobre sua soberania nas Falklands, e o princípio de autodeterminação, como está estabelecido na Carta da ONU, mantém nossa posição", acrescentou.