O ministro de Fazenda argentino, Alfonso Prat-Gay, disse que está confiante em pagar, no dia 14 de abril, 4,6 bilhões de dólares aos fundos especulativos nos Estados Unidos, apesar das críticas da oposição no Congresso. Ele se pronunciou um dia depois de ter sido alcançado um início de entendimento com governadores das províncias para que apoiem com seus parlamentares no Congresso a lei que habilitaria o pagamento. O governo está em minoria na Casa, mas tenta conquistar a parte mais amigável da oposição.
"Nós continuamos pensando que vamos cumprir (o pagamento) nessa data de 14 de abril", disse o ministro em uma entrevista ao jornal Clarín, publicada nessa sexta-feira. Prat-Gay reconheceu que embora tenha assinado um pré acordo no início do mês em Nova York com os fundos mais intransigentes (NML Capital e Aurelius), entre outros credores, a Argentina enfrentará novos processos com outro grupo de credores.
No debate no Congresso, a oposição advertiu sobre o risco de litígios de 4% dos credores da dívida em moratória que ainda rejeitam a proposta argentina. Prat-Gay disse que, segundo sua análise, esses fundos estão pedindo que os bônus que prescreveram sejam pagos e admitiu que se trata de "um núcleo duro onde se abrirá um processo de litígios". "De todo modo, para aqueles que tenham títulos válidos e que ainda não tenham decido aceitar a oferta, a proposta seguirá de pé", afirmou.
Na quarta-feira, o governo argentino concluiu novos pré-acordos para pagar a dívida em moratória por mais de 190 milhões de dólares, informou o mediador em Nova York, Daniel Pollack. Todos esses pré-acordos se inserem na oferta apresentada no dia 5 de fevereiro nesse ano pela nova administração de Macri para pagar 6,5 bilhões de dólares, sobre um total de 9 bilhões, a fundos especulativos e outros credores para pôr fim ao processo bilionário por 7% da dívida em moratória desde 2001.
Para fechar esses acordos o juiz americano Thomas Griesa impôs como condição que a Argentina aprove uma nova que derrogue a "Ley Cerrojo", que estabelece que uma vantagem oferecida a um credor precise, necessariamente, ser estendida aos demais. Com a derrogação, Griesa suspenderá o bloqueio de um pagamento da dívida por 539 milhões de dólares que ordenou como castigo à Argentina por descumprir sua sentença em favor dos fundos litigantes.
A oposição kirchnerista (peronismo de centro-esquerda) e um grupo de deputados de esquerda tentarão impedir que o governo forme quórum. Caso não consigam, tentarão bloquear depois o trâmite no Senado, onde são maioria.
Argentina pagará "fundos abutres" dia 14 de abril, diz ministro
Pagamento de 4,6 bilhões deve ser feito em abril