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Assad diz que Europa deve criar condições para refugiados retornarem à Síria

Em entrevista à agência AFP, presidente negou práticas de crime de guerra

Bashar al-Assad concedeu entrevista exclusiva para a AFP
Bashar al-Assad concedeu entrevista exclusiva para a AFP Foto : Joseph Eid / AFP / CP
O presidente sírio, Bashar al-Assad, em entrevista exclusiva para a agência AFP, disse que a Europa deve criar as condições que permitam o retorno dos refugiados à Siria. "Eu vou pedir aos governos europeus que contribuíram diretamente para o êxodo (dos refugiados sírios) proporcionando uma cobertura aos terroristas e impondo o embargo contra a Síria que ajudem no retorno dos sírios a suas casas.

Esta é a primeira entrevista do presidente sírio a um meio de comunicação desde o fracasso, no mês passado, das negociações de paz em Genebra.

A respeito da guerra, Assad foi categórico: quer reconquistar toda a Síria. Porém, previu que os combates contra os rebeldes, que busca derrotar há quase cinco anos, podem ser longos. "Não é lógico dizer que há uma parte do nosso território à qual nós renunciamos", declarou.

O presidente sírio, porém, cogitou negociar com a oposição enquanto continua a guerra contra os insurgentes armados.

"Desde o início da crise, acreditamos totalmente nas negociações e na ação política. Contudo, negociar não significa que vamos parar de combater o terrorismo. As duas vertentes são indispensáveis na Síria (...) A primeira vertente é independente da segunda", afirmou. 

Questionado sobre o uso da força e os métodos para reconquistar o território perdido para as forças rebeldes, Assad, negou as acusações de praticar crimes de guerra. Assad afirmou que as instituições da ONU são "dominadas pelas potências ocidentais" e que "a maior parte de seus relatórios são politizados". "É por isso que eu não temo nem ameaças nem essas alegações", ressaltou quando perguntado se não tinha medo de prestar contas a um tribunal internacional.

Intervenção militar

Bashar al-Assad, considerou que existe o risco de uma intervenção militar turca e saudita na Síria, mas que suas forças "vão enfrentar" qualquer ação. "É uma possibilidade que eu não posso excluir pela simples razão que Erdogan é alguém intolerante, radical, pró-Irmandade Muçulmana e que vive o sonho otomano (...)

E o mesmo acontece com a Arábia Saudita. De qualquer forma, um tal ação não seria fácil para eles e nós com certeza vamos enfrentar", garantiu.

França e Síria

A França deve "mudar sua política" na Síria, a fim de "agir para combater o terrorismo", declarou o presidente sírio Bashar al-Assad, que considerou que não cabe a seu país fazer "um gesto em direção a França" para melhorar as relações bilaterais.

A província de Aleppo

A batalha na região de Aleppo (norte da Síria) tem como objetivo "cortar a rota entre Aleppo e a Turquia", e não retomar o controle sobre a segunda maior cidade do país, afirmou o presidente sírio Bashar al-Assad. A importância de cortar esta rota é que ela constitui "a principal via de abastecimento dos terroristas", explicou.


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