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Assassinato de congressista estadual foi influenciado por debate do aborto nos EUA

Polícia mobiliza forças de segurança nas buscas por Vance Boelter

Investigadores na cena do crime
Investigadores na cena do crime Foto : Stephen Maturen / Getty Images / AFP / CP

A polícia nos Estados Unidos realizava neste domingo (15) uma intensa busca pelo suspeito do assassinato de uma congressista estadual democrata e seu marido em Minnesota, em um ato que as autoridades classificaram como um atentado com motivação política. "Havia uma ligação com o aborto devido aos grupos” que constavam na lista - incluindo clínicas de aborto, segundo a imprensa - encontrada no carro do suspeito, disse a congressis Emily Klobuchar em entrevista à emissora NBC.

Melissa Hortman, de 55 anos e mãe de dois filhos, foi presidente da Câmara dos Representantes de Minnesota e fez do direito ao aborto sua grande prioridade. “Precisamos reduzir a tensão política”, insistiu Klobuchar em entrevista à CNN. O senador republicano por Kentucky Rand Paul, atacado por um vizinho em 2017, declarou neste domingo à NBC que “nada nos une mais do que o luto por outro político, seja ele democrata ou republicano”.

O governador de Minnesota, o democrata Tim Walz - ex-companheiro de chapa de Kamala Harris nas últimas eleições presidenciais vencidas por Trump - ordenou que as bandeiras fossem hasteadas a meio mastro no estado. O que 'parece ser um ato de violência política seletiva', segundo as palavras de Walz, ocorreu em um Estados Unidos cada vez mais fraturado.

O presidente Donald Trump, que sobreviveu a uma tentativa de assassinato durante um comício de campanha em julho passado na Pensilvânia, condenou os ataques e afirmou que os responsáveis enfrentarão "todo o peso da lei”. Questionado na manhã deste domingo sobre a situação em Minnesota e se planejava ligar para Walz, seu antigo adversário, Trump respondeu: “É terrível. Acho que ele é um governador muito ruim, alguém completamente incompetente. Mas posso ligar para ele, como posso ligar para outras pessoas”.

O FBI oferece uma recompensa de até 50 mil dólares (R$ 278 mil) por qualquer informação que leve à captura de Vance Boelter, acusado de matar a tiros Melissa Hortman e seu esposo no sábado, assim como de ferir gravemente o senador estadual John Hoffman e sua esposa, em dois subúrbios de Minneapolis. O duplo atentado abalou a classe política de todo o país, em um momento de alta tensão devido às políticas do presidente republicano, Donald Trump. Boelter, 'um homem branco de 57 anos', considerado 'armado e perigoso', foi visto pela última vez na manhã de sábado 'com um chapéu de caubói claro', segundo a polícia, que mobilizou 'centenas' de agentes em sua busca.

Supostamente, ele foi na madrugada de sábado até as casas de Hoffman e Hortman. Em uma foto compartilhada pelas autoridades, Boelter aparece com um uniforme policial e o que parece ser uma máscara de látex, tocando a campainha de uma residência.

Boelter aparece no site da empresa de segurança privada Praetorian Guards Security Services como diretor de patrulhas da companhia.David Carlson, colega de moradia de Boelter, declarou à emissora local KARE que, antes dos ataques, recebeu uma mensagem de texto do foragido informando que se ausentaria por um tempo e que talvez morresse em breve.

O suspeito, que fugiu a pé após uma troca de tiros com a polícia nas proximidades da residência de Hortman, deixou em seu carro um manifesto - cujo conteúdo não foi detalhado pelas autoridades - e uma lista de funcionários, entre eles os dois atingidos e outras figuras políticas.