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“Assassino silencioso”: Estudo preliminar atribui milhares de mortes às mudanças climáticas no verão europeu

Aquecimento global pode ter causado mais de 15 mil mortes nas principais cidades da Europa

Aquecimento global pode ter causado mais de 15 mil mortes nas principais cidades da Europa
Aquecimento global pode ter causado mais de 15 mil mortes nas principais cidades da Europa Foto : Jean-Christophe Verhaegen / AFP

O aquecimento global pode ter causado mais de 15 mil mortes nas principais cidades da Europa durante o último verão no hemisfério norte. A conclusão é de um estudo preliminar realizado por pesquisadores do Imperial College London e da London School of Hygiene & Tropical Medicine. Segundo a pesquisa, cerca de 68% das 24.400 mortes atribuídas ao calor neste verão não teriam ocorrido sem as mudanças climáticas.

As estimativas, que variam entre 15.013 e 17.864 mortes, representam a primeira avaliação em larga escala dos efeitos na saúde de uma temporada com temperaturas recordes em países como Espanha, Portugal e Reino Unido. Os pesquisadores criaram um modelo que sugere que, sem a crise climática, as temperaturas médias teriam sido 2,2°C mais baixas nas cidades analisadas. A pesquisa aponta que mais de 800 mortes em Roma, mais de 600 em Atenas e mais de 400 em Paris podem ser atribuídas ao aquecimento global.

A necessidade de ação

Os efeitos das altas temperaturas na saúde são bem documentados, incluindo o agravamento de problemas cardiovasculares e a desidratação, que afetam principalmente idosos. O coautor do estudo, Garyfallos Konstantinoudis, chamou as ondas de calor de "assassinos silenciosos" e alertou que um aumento de apenas 2°C a 4°C na intensidade do calor pode levar a milhares de mortes. De acordo com o estudo, mais de 85% das mortes registradas afetaram pessoas com mais de 65 anos.

Embora o estudo ainda não tenha sido publicado em uma revista científica, outros especialistas o consideram um trabalho válido. Eles ressaltam que os métodos de análise, apesar de prudentes, são cientificamente sólidos e que o número real de mortes pode ser ainda maior. A pesquisa aponta para a urgência de políticas de adaptação e mitigação para enfrentar os impactos diretos das mudanças climáticas na saúde pública.

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