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Associações denunciam contaminação de águas europeias por substância química persistente

Os resultados indicam que "a magnitude da contaminação é alarmante e requer uma ação decisiva", conforme destacaram as associações em um relatório publicado nesta segunda-feira.

A análise, conduzida pelo Centro de Tecnologia da Água de Karlsruhe, revelou a presença de TFA "em todas as amostras de água", com concentrações variando entre 370 nanogramas por litro (ng/l) e 3.300 ng/l.
A análise, conduzida pelo Centro de Tecnologia da Água de Karlsruhe, revelou a presença de TFA "em todas as amostras de água", com concentrações variando entre 370 nanogramas por litro (ng/l) e 3.300 ng/l. Foto : Geoffroy Van Der Hasselt / AFP / CP

A Rede Europeia de Ação contra Pesticidas (PAN Europe) e seus membros analisaram 23 amostras de águas superficiais e seis de águas subterrâneas em dez países da União Europeia para detectar a presença de ácido trifluoroacético (TFA), uma substância química extremamente persistente. Diversas associações alertam sobre "a maior contaminação de água já registrada em escala europeia por uma substância química sintética".

O TFA é um subproduto da degradação de PFAS, substâncias químicas perfluoroalquiladas conhecidas como "poluentes eternos". Além disso, o TFA é utilizado na produção de alguns desses compostos.

Os resultados indicam que "a magnitude da contaminação é alarmante e requer uma ação decisiva", conforme destacaram as associações em um relatório publicado nesta segunda-feira.

O TFA pode resultar da degradação de pesticidas PFAS utilizados na agricultura devido à sua estabilidade, bem como de gases refrigerantes e resíduos industriais da produção de PFAS, como revestimentos antiaderentes para panelas, espumas de combate a incêndios e cosméticos.

A análise, conduzida pelo Centro de Tecnologia da Água de Karlsruhe, revelou a presença de TFA "em todas as amostras de água", com concentrações variando entre 370 nanogramas por litro (ng/l) e 3.300 ng/l. Essas concentrações são especialmente significativas em rios como o Elba, na Alemanha, o Sena, na França, e o Mehaigne, na Bélgica.

O relatório observa que "79% das amostras apresentavam níveis de TFA superiores ao limite de 500 ng/l proposto pela diretriz europeia sobre água potável para todos os PFAS". Atualmente, o TFA não é especificamente regulamentado: as autoridades europeias classificam a substância como "irrelevante", o que a isenta do limite de 100 ng/l aplicável a alguns pesticidas e produtos derivados de sua degradação em águas subterrâneas.

As associações criticam essa classificação, destacando a persistência do TFA no meio ambiente, a impossibilidade de eliminá-lo pelos processos convencionais de tratamento de água potável e um "perfil toxicológico que ainda levanta muitas questões". Um estudo citado indicou que coelhos expostos ao TFA apresentaram "malformações oculares", mas ainda não há conclusões definitivas sobre os efeitos em humanos.

"A contaminação aumentará diariamente se não forem adotadas medidas decisivas para reduzir a entrada de TFA, começando com a rápida proibição dos pesticidas PFAS e dos gases fluorados", conclui o relatório.