O planeta, batizado PH1, fica a cerca de 5 mil anos-luz da Terra (um ano-luz corresponde a 9,461 trilhões de quilômetros), está em órbita de dois sóis, e duas estrelas giram em torno deles. Segundo os astrônomos, apenas seis planetas são conhecidos por ficarem em órbita em torno de dois sóis sem outra estrela distante orbitando seu sistema solar. O planeta gasoso é do mesmo tamanho de Netuno e com cerca de seis vezes o tamanho da Terra.
Esse sistema planetário circumbinário duplo foi inicialmente descoberto por dois astrônomos amadores americanos, Kian Jek e Robert Gagliano, que utilizaram o site Planethunters. Astrônomos profissionais americanos e britânicos realizaram observações e medições com os telescópios Keck, situados no monte Mauna Kea, no Havaí. "Os planetas circumbinários representam o que há de mais extremo na formação planetária", afirmou Meg Schwamb, pesquisadora da Universidade de Yale, principal autor da pesquisa apresentada na conferência anual da divisão de Planetologia da American Astronomical Society reunida em Reno, Nevada (oeste dos Estados Unidos). "A descoberta de tais sistemas estelares nos obriga a repensar como esses planetas podem se formar e evoluir em um ambiente como este", acrescentou.
A descoberta foi publicada online no site arXiv e submetida a publicação no Astrophysical Journal. O Planethunters foi criado em 2010 para estimular os astrônomos amadores a identificarem exoplanetas - planetas situados fora do nosso sistema solar - com os dados coletados pelo telescópio espacial americano Kepler. Lançado em março de 2009, o Kepler tem como objetivo pesquisar exoplanetas semelhantes à Terra em órbita em torno de outras estrelas.