O atentado ocorreu horas antes da chegada do ex-presidente Pervez Musharraf a Karachi, depois de passar mais de quatro anos no exílio. O ex-general confirmou na sexta-feira que voltaria ao país, onde pesam contra ele várias ordens. A justiça paquistanesa abriu caminho para a volta ao beneficiá-lo com uma liberdade sob fiança. Em função do anúncio, talibãs aliados da Al-Qaeda ameaçaram no sábado assassinar o ex-presidente. "Preparamos um comando de camicases para Musharraf", afirmou Ehsanulá Ehsan, porta-voz do Movimento dos Talibãs do Paquistão (TTP), falando por telefone. O TTP é um dos principais grupos armados islamitas responsáveis por uma onda de atentados sem precedentes, que causaram quase 6 mil mortes no Paquistão em seis anos.
Musharraf já sobreviveu, quando era presidente, a dois atentados de grupos fundamentalistas muçulmanos que, desde 2001, reprovam os diferentes governos e as forças armadas de terem se aliado com Washington em sua "guerra contra o terrorismo". Nos últimos anos, Musharraf anunciou em várias ocasiões sua volta ao Paquistão, mas depois voltava atrás por temer ser preso. O ex-presidente pensa em participar das eleições gerais de 11 de maio, uma votação histórica, já que o governo civil acaba de concluir uma legislatura completa de cinco anos, algo inédito no país com uma história salpicada de golpes de Estado.
O ex-general que chegou ao poder em 1999 depois de um golpe de Estado, abandonou o país em 2008, depois de renunciar pressionado especialmente pela justiça. O ex-presidente está envolvido em três casos polêmicos: a morte do líder separatista baluche Akbar Bugti, em 2006, e da ex-primeira-ministra Benazir Bhuto, em 2007, assim como o afastamento ilegal de juízes em 2007.