Ao menos 46 civis e combatentes morreram nesta terça-feira em ataques suicidas do grupo extremista Estado Islâmico (EI) contra um campo de refugiados e deslocados no noroeste da Síria, em meio ao avanço das forças anti-jihadistas em direção a Raqa. "Pelo menos cinco homens-bomba do EI se explodiram nas proximidades e dentro de um campo de refugiados iraquianos e sírios deslocados na província de Hassake", informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).
Segundo a ONG, ao menos 46 pessoas, incluindo 31 civis, morreram e dezenas ficaram feridas no ataque contra o campo, que abriga cerca de 300 famílias, iraquianas e sírias. Após o ataque, intensos combates foram travados com as Forças Democráticas da Síria (FDS), que já conseguiram expulsar os jihadistas do EI de 90% da cidade de Tabqa, posição-chave rumo a Raqa, considerada a capital do Estado Islâmico na Síria.
Segundo o OSDH, "alguns suicidas conseguiram entrar no campo" de refugiados na região de Rajem al-Salibi, localizado nas proximidades da fronteira com o Iraque. As FDS, uma aliança de milícias árabes e curdas apoiadas pelos Estados Unidos, são uma das principais forças que lutam contra a organização ultrarradical sunita na Síria.
EI perde controle
Civis, tanto da Síria como do Iraque, estão instalados precariamente neste campo de refugiados em uma área desértica, onde esperam conseguir proteção e uma passagem segura para a zona curda. O EI chegou a controlar grandes regiões da província de Hassake, mas perdeu gradualmente terreno. A área é quase inteiramente controlada neste momento pelas milícias curdas.
Os combatentes árabes e curdos das FDS tentavam nesta terça-feira limpar os últimos bolsões de resistência jihadista no norte de Tabqa, segundo o OSDH. Restam apenas entre 300 e 400 jihadistas defendendo a cidade situada 55 km a sudoeste de Raqa, capital da província do mesmo nome. Os jihadistas do EI continuam tendo amplo poder na província vizinha de Deir Ezzor, de onde chegam muitos refugiados diariamente.
O governo sírio mantém uma pequena presença nesta província, em particular em sua capital. Nesta terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e seu homólogo russo, Vladimir Putin, discutiram a possibilidade de se criar zonas de segurança na Síria, durante uma conversa por telefone. "Foi uma conversa excelente, e incluiu a discussão de zonas de segurança para se alcançar uma paz duradoura por razões humanitárias, entre outras", na Síria, informou a Casa Branca.
O Kremlin confirmou que os dois líderes concordaram na conveniência de intensificar o diálogo entre suas respectivas chancelarias para tratar de uma saída para a crise síria. O conflito sírio já causou mais de 320.000 mortes desde seu início em 2011, e a presença estrangeira é decisiva no curso da guerra.
Um dos países mais envolvidos, o Irã, anunciou que continuará a enviar tropas para apoiar o governo do presidente Bashar al-Assad na luta contra os rebeldes e grupos jihadistas. "Vamos enviar conselheiros para todos os setores e iremos fornecer toda a assistência possível para a frente de resistência", afirmou nesta terça-feira o general Mohamad Pakpour, comandante das forças terrestres do CGRI, exército de elite do Irã.
Ataque do Estado Islâmico mata 46 em campo de refugiados
Após investida, intensos combates foram travos com as Forças Democráticas da Síria