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Ataque químico é registrado no norte da Síria

Atentado que afetou dezenas de pessoas foi atribuído ao Estado Islâmico

Militantes sírios e Oorganizações Não Governamentais (ONGs) médicas anunciaram nesta terça-feira ter documentado um ataque com arma química que afetou dezenas de pessoas na cidade síria de Marea e uma das fontes acusou o grupo jihadista Estado Islâmico (EI) pela ação.

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) explicou em um comunicado ter tratado quatro civis da mesma família que foram expostos a agentes químicos em 21 de agosto em Marea, o principal reduto rebelde na província de Aleppo (norte). Eles apresentaram "sintomas tais como olhos vermelhos, erupções na pele, conjuntivite e dificuldades respiratórias, que se seguiram cerca de três horas depois pela "formação de bolhas e agravamento dos sintomas respiratórios", segundo a organização.

A ONG não foi capaz de confirmar a natureza do agente químico, mas assegura que a condição dos pacientes e os testemunhos "indicam a exposição das vítimas a um agente químico", de acordo com o chefe dos programas da MSF na Síria, Pablo Marco. De acordo com os pacientes tratados em um hospital da MSF na cidade de Aleppo, um morteiro atingiu a casa da família em questão na sexta-feira e, "após a explosão, um gás amarelo invadiu a sua sala de estar".

A Sociedade Síria Americana de Medicina (SAMS) indicou que seus próprios médicos na cidade haviam identificado o agente como gás mostarda. A SAMS, que tem clínicas por toda a Síria, devastada pela guerra, disse que "mais de 50 civis apresentando sintomas de exposição a agentes químicos" foram tratados em um hospital de campo em Marea. "Bolhas apareceram na pele de 30 civis e os médicos identificaram o agente como o gás mostarda", indicou o comunicado.

Mamoun al-Khatib, um militante jornalista presente em Marea, relatou que mais de 50 morteiros lançados pelo Estado Islâmico caíram no centro da cidade na sexta-feira. O EI vem tentando há meses tomar Marea, considerada a mais importante fonte de combatentes e armas na província de Aleppo para os rebeldes que lutam tanto contra o regime de Bashar al-Assad quanto contra o grupo jihadista sunita.

De acordo com Khatib, "um cheiro horrível" foi sentido após o bombardeio. "Os médicos de um hospital improvisado nos disse que houve alguns casos de asfixia, tosse intensa, vermelhidão nos olhos e rosto, e irritações da pele", explicou o ativista, que é o diretor da Shahba, uma agência de notícias local anti-regime. "Mais de 25 civis foram afetados, dos quais quatro estão em estado grave e foram transferidos para a Turquia", informou.

O gás mostarda é um gás asfixiante que foi usado pela primeira vez pelos alemães na Bélgica em 1917. Ele foi proibido pela ONU em 1993. Em 14 de agosto, o governo dos Estados Unidos havia considerado "plausível" o uso de gás mostarda pelo EI em um ataque contra combatentes curdos no Iraque. De acordo com o The Wall Street Journal, os extremistas teriam adquirido gás mostarda na Síria, quando o regime de Bashar al-Assad se desfez de seu arsenal químico sob pressão da comunidade internacional, ou no Iraque.