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Ataques dos EUA fazem Irã acionar defesas antiaéreas em sua capital

Hostilidades cresciam entre os países no Oriente Médio, enquanto trânsito pelo Estreito de Ormuz era parado

Teerã acionou sistemas antiaéreos
Teerã acionou sistemas antiaéreos Foto : AFP

Os sistemas de defesa aérea foram acionados na manhã desta quinta-feira (16) em Teerã, capital do Irã, enquanto explosões eram ouvidas em diferentes regiões do país, informou a mídia estatal iraniana.

"Até o momento, as autoridades oficiais não informaram sobre vítimas em Teerã", afirmou a agência estatal Irna. Segundo a Irna e a agência Mehr, explosões também foram registradas em áreas das províncias de Lorestã, no oeste, e Semnã, no norte do país.

Os confrontos entre Estados Unidos e Irã prosseguiam após uma semana de bombardeios, sem sinais de redução da tensão. A escalada ocorre mesmo após Washington e Teerã terem assinado, há menos de um mês, um protocolo de acordo destinado a encerrar o conflito no Oriente Médio.

Nesta quarta-feira (15), os Estados Unidos realizaram duas novas ondas de bombardeios contra a costa iraniana e dispararam contra um navio petroleiro que tentava romper o bloqueio marítimo imposto aos portos do Irã, restabelecido na véspera.

O Irã, que voltou a fechar o Estreito de Ormuz no fim de semana, afirmou que a passagem permanecerá bloqueada até o fim das "agressões" americanas. Em resposta, Teerã também intensificou ataques contra instalações dos Estados Unidos na região, agravando os esforços diplomáticos para encerrar a guerra iniciada em 28 de fevereiro com bombardeios israelenses e americanos contra território iraniano.

Nas primeiras horas desta quinta-feira, o Kuwait informou ter interceptado drones iranianos, enquanto o Bahrein acionou sirenes antiaéreas diante da ameaça de novos ataques.

A atual escalada começou em 7 de julho, após uma série de ataques contra navios no Golfo atribuídos ao Irã. Os confrontos encerraram um protocolo de acordo firmado em meados de junho, que previa o fim das hostilidades.

"Um protocolo de acordo só faz sentido quando suas cláusulas são válidas e aplicadas", declarou o negociador-chefe do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf.

"Se a República Islâmica do Irã não vai obter nenhum benefício (...), não temos nenhuma razão para aderir", acrescentou.

Novos bombardeios

A cidade portuária de Bushehr, onde está localizada a única usina nuclear iraniana, voltou a ser alvo de ataques nesta quarta-feira, assim como áreas próximas de Iranshahr, no sudeste do país. Segundo o Exército iraniano, sete militares morreram na ofensiva, que incluiu 13 lançamentos de mísseis americanos.

As Forças Armadas dos Estados Unidos afirmaram que os bombardeios duraram cerca de 90 minutos e reduziram ainda mais a capacidade iraniana de atacar embarcações comerciais no Estreito de Ormuz. Horas depois, Washington lançou uma segunda série de ataques com o mesmo objetivo.

Explosões também foram registradas em Bandar Abbas, Rask, Chabahar e na ilha de Qeshm, segundo a imprensa estatal iraniana.

Teerã informou que mais de 30 civis morreram desde a retomada dos confrontos.

No contexto do bloqueio naval, um avião militar americano disparou contra um petroleiro vazio com bandeira de Curaçao que tentava atravessar a área bloqueada. A embarcação foi "neutralizada", segundo autoridades americanas.

No Iraque, forças curdas informaram que a coalizão liderada pelos Estados Unidos derrubou oito drones sobre Erbil, capital do Curdistão iraquiano. Jornalistas da AFP relataram explosões e fumaça nas proximidades do consulado americano.

O Catar, que tenta mediar o conflito, recebeu nesta quarta-feira o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi.

Antes da guerra, cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) comercializados no mundo passavam pelo Estreito de Ormuz. Com o bloqueio, o tráfego marítimo caiu significativamente.

Após forte alta no início da semana, os preços do petróleo se estabilizaram nesta quarta-feira, com o barril do Brent sendo negociado em torno de US$ 85.

Ao restabelecer o bloqueio dos portos iranianos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, busca aumentar a pressão sobre Teerã, que mantém o controle do estreito e autoriza apenas um corredor de navegação próximo ao litoral iraniano.

Na noite de quarta-feira, Trump anunciou que o Irã libertou uma cidadã americana presa desde dezembro de 2024.

"Os Estados Unidos da América agradecem este gesto de boa vontade por parte do Irã!", escreveu o presidente em sua rede social, Truth Social.

A mensagem contrastou com o ultimato feito na terça-feira, quando afirmou que, caso o Irã não retomasse as negociações, "na semana que vem as coisas vão ficar realmente muito feias para eles".

Em resposta, autoridades iranianas instalaram um grande cartaz no centro de Teerã mostrando Trump dentro de um caixão, acompanhado da frase: "Mataremos Trump", segundo imagens divulgadas pela AFPTV.