As duas bombas caseiras preparadas com panelas de pressão, que explodiram perto da linha de chegada da maratona, continham pregos e pedaços de metal, o que provocou ferimentos graves nos membros inferiores das vítimas, que perderam uma ou as duas pernas de maneira imediata. Jeff Bauman Jr., de 27 anos, passou pela amputação de ambos os membros inferiores por causa do extenso dano vascular e ósseo que sofreu.
Entre os casos mais dramáticos está o da família Richard: o pequeno Martin, de 8 anos, é uma das três vítimas fatais, enquanto sua irmã, Janey, de 6 anos, sofreu a amputação de uma perna. A mãe Denise teve uma grave lesão cerebral.
Ao receber a avalanche de feridos, os médicos se viram obrigados em certos casos a "completar o que a bomba havia feito e concluir a amputação", explicou o dr. George Velhamos, chefe do Departamento de Cirurgias de Emergência do Hospital Geral de Massachusetts.
"A maioria tinha de 10 a 40 pedaços de metal incrustados em seus corpos, em geral em suas pernas, e também mais acima, em seus pescoços", contou. Nesse hospital, quatro pessoas foram submetidas a amputações. No Boston Medical Center, a equipe de emergência teve de praticar cinco remoções cirúrgicas de membros, relatou o chefe de traumatologia, Peter Burke. "Já vimos ferimentos como esses, mas não tinham sido causados por explosões e nunca em um número tão grande", afirmou.
Em relação aos pedaços de metal que os explosivos continham, Burke explicou que sua equipe achou fragmentos de quatro ou cinco centímetros dentro das vítimas". No Boston Medical Center continuam hospitalizadas 19 pessoas, das quais duas em estado crítico e dez em estado grave, segundo Burke.
No Brigham and Women's Hospital, que também recebeu um importante fluxo de feridos, até sete equipes de cirurgiões trabalharam de forma simultânea na noite de segunda-feira e tiveram de realizar uma amputação. No centro médico Beth Israel Deaconess, duas pessoas tiveram as pernas amputadas, segundo o assessor de imprensa Jerry Berger. Com pessoas ainda lutando por suas vidas e tantos casos de amputações traumáticas, Peter Burke explicou que os médicos de Boston tiveram o cuidado de assistir não apenas os pacientes, mas suas famílias abaladas com a tragédia.