"Equivocam-se os que acreditam que estão resguardados do castigo", disse Mubarak, acrescentando que "vamos cortar a cabeça da víbora, enfrentar o terrorismo e vencê-lo". Mubarak fez um apelo "aos filhos do Egito - coptas e muçulmanos - a se unirem contra as forças do terrorismo e contra os que ameaçam a segurança da pátria, sua estabilidade e unidade de seus filhos".
A tensão era clara hoje em torno da igreja atacada, cuja fachada permanecia manchada de sangue. Ignorando os apelos à calma, jovens manifestantes cristãos lançaram pedras e garrafas contra a tropa de choque da polícia, que respondeu com bombas de gás lacrimogêneo. O patriarca da Igreja Copta, Chenuda III, exigiu que os autores do ataque sejam rapidamente presos e julgados, qualificando o atentado de ato "terrorista" e "covarde" que busca "desestabilizar" o Egito.
Em visita ao Havaí, o presidente americano, Barack Obama, condenou veementemente o ultrajante ataque e afirmou que os terroristas "não têm respeito à vida e à dignidade humanas". "Precisam ser levados à Justiça para responder por este ato bárbaro e abominável", acrescentou. "Os Estados Unidos estendem suas mais profundas condolências às famílias dos mortos e aos feridos (...) e nos colocamos ao lado" do povo egípcio "neste momento difícil", ressaltou Obama.
O Papa Bento XVI pediu aos dirigentes de todo o mundo que defendam os cristãos contra os abusos e as intolerâncias religiosas. Ante as "tensões ameaçadoras do momento, ante (...) os abusos e a intolerância religiosa, que golpeiam hoje os cristãos em particular, uma vez mais convido a não ceder ao desalento e à resignação", disse o Papa durante a missa celebrada na Basílica de São Pedro. É necessário "um compromisso concreto e constante dos chefes das nações", acrescentou Bento XVI durante a celebração.
O ataque ocorreu em frente à igreja dos Santos (al Qidisin), em Alexandria, a grande cidade do norte de Egito, por volta da meia-noite e meia, quando os fiéis deixavam o templo. Segundo o ministério do Interior egípcio, o atentado teria sido cometido por um terrorista suicida. Uma testamunha disse ao canal privado On-TV ter visto um automóvel verde da marca Skoda estacionar em frente à igreja à 00h20min.
Alguns homens saíram do veículo, que pouco depois explodiu. O atentado, não assumido até agora, acontece dois meses depois que um grupo próximo ao braço iraquiano da rede terrorista Al-Qaeda, chamado Estado Islâmico do Iraque, fez ameaças à Igreja Copta do Egito.