Uma bomba escondida num caminhão-tanque e acionada à distância explodiu no fim do dia na cidade de Hazara, perto de Quetta, capital da província do Baluchistão, localizada na fronteira com o Irã e Afeganistão e cenário de atos de violência sectária e numerosos atentados contra as forças de segurança.
O caminhão repleto de explosivos estava estacionado perto de um prédio de dois andares, que acabou desabando. "Tememos que muitas pessoas ainda estejam presas sob os escombros", disse o chefe da polícia de Quetta, Zubair Mehmood. Após o atentado, uma multidão enfurecida lançou pedras contra a polícia, acusada de não proteger os xiitas, de acordo com testemunhas.
Os episódios de violência contra a minoria xiita, julgada herege por alguns grupos sunitas extremistas, multiplicaram-se nos últimos anos no Paquistão, principalmente no Baluchistão. A autoria do atentado foi reivindicada pelo Lashkar-e-Jhangvi, grupo armado sunita fundado nos anos 1990 e proibido oficialmente no Paquistão, o que não o impede de cometer crimes violentos. Este movimento armado reivindicou ainda, no mês passado, a autoria do ataque mais sangrento contra a comunidade xiita no Paquistão: um duplo atentado suicida em frente ao clube de bilhar de Quetta, que resultou na morte de 80 xiitas.
De acordo com a organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW), mais de 400 xiitas foram mortos no Paquistão em 2012, ano mais sangrento para esta comunidade na história do país.
O Paquistão também é cenário de uma guerra de influência entre a Arábia Saudita, suspeita de financiar os movimentos wahabitas (facção ultraortodoxa do islã sunita), e o Irã, maior potência xiita, segundo analistas.