O terrorista chegou a pé e detonou a carga explosiva quando estava perto de um posto de gasolina, que pegou fogo, em um incêndio que durou várias horas, de acordo com o porta-voz do governo provincial, Attaullah Khogyani. "Vi uma enorme bola de fogo e as pessoas começaram a correr. Algumas estavam em chamas. O incêndio demorou várias horas para ser controlado", relatou Esmatullah, que testemunhou o caso.
Após o atentado, o local ficou totalmente destruído, assim como os veículos e caminhões que estavam nos arredores. O ataque aconteceu às 10h desta terça-feira (3h30min de Brasília), mas os serviços de emergência só conseguiram controlar as chamas horas depois e estabelecer um balanço oficial de vítimas.
• Afeganistão tem recorde de civis mortos ou feridos em atentados
Em uma mensagem divulgada no aplicativo Telegram, o órgão de propaganda do EI informou sobre o atentado e anunciou que o "homem-bomba, com uma grande quantidade de explosivos, atacou os serviços de inteligência afegãos". O chefe da polícia provincial, Ghulam Sanayee Estanakzai, confirmou que os alvos do ataque eram membros do Serviço de Inteligência (NDS). Jalalabad é a capital de Nangarhar, província na fronteira com o Paquistão e que tem a presença de talibãs e de combatentes do grupo Estado Islâmico (EI).
A pressão exercida nos últimos meses pelas forças afegãs, apoiadas pelo exército americano, em sua luta contra o terrorismo permitiu expulsar o EI recentemente de três distritos que estavam sob controle do grupo nos últimos dois anos -Kot, Achin e Deh Bala. Mas a presença do EI está longe de ser eliminada na região, apesar da instalação de postos avançados americanos sobre as colinas de Deh Bala e de uma vigilância constante.
Desde o fim do cessar-fogo de três dias respeitado em meados de junho entre as forças de segurança e os talibãs, Jalalabad é a região que sofreu a maior quantidade de atentados, enquanto o nível de violência caiu no sul e sudeste do país. Com o apoio da Organização da Conferência Islâmica, mais de 100 líderes religiosos de quase 40 países estão reunidos até quarta-feira em Jidá, na Arábia Saudita, onde podem reiterar a afirmação de que o conflito afegão não tem legitimidade religiosa, como destacou em junho o conselho dos ulemás afegãos.