Shahzad, que é cidadão americano e morou em Connecticut com a família antes de aderir à militância jihadista, declarou-se culpado em junho pela tentativa de atentado no dia 1º de maio em Nova York.
O jovem de 30 anos obteve a cidadania americana em abril de 2009, mas disse à juíza Miriam Goldman que não foi sincero em seu juramento. "Você não jurou fidelidade a este país?", perguntou a magistrada durante o julgamento. "Jurei", respondeu o réu. "Mas não era de verdade".
O pânico causado pela bomba plantada em plena Times Square e as revelações de que o talibã paquistanês estava por trás do ataque deixaram ainda mais tensas as relações entre Islamabad e Washington. Ao mesmo tempo, aumentaram as preocupações acerca de terroristas em território americano.
Shahzad manteve uma atitude provocadora no tribunal, afirmando ter cometido o atentado para se vingar dos bombardeios com aviões teleguiados americanos no Paquistão. "Ao contrário de fornecer uma explicação para sua atividade criminosa, a história e as características de Shazhad depõem fortemente a favor da pena máxima", afirmou o subprocurador Randall Jackson nos autos do processo, antes da divulgação da sentença.
O atentado fracassou porque o detonador do explosivo armado por Shahzad em Nova Iorque, deixado dentro de um carro no coração da Times Square, não funcionou. Toda a operação foi caracterizada por extremo amadorismo, incluindo o fato de o terrorista ter precisado fugir a pé por ter esquecido a chave de um segundo veículo - e as de seu apartamento - dentro do carro-bomba.
As autoridades, no entanto, concluíram que a bomba teria provocado uma verdadeira carnificina caso houvesse explodido. Segundo os procuradores do caso, Shahzad gabou-se da potência do artefato, afirmando que esperava matar pelo menos 40 pessoas. Além disso, confessou que planejava organizar um segundo atentado logo em seguida, mas foi detido pela polícia.
Além disso, ele contou ter usado sites que mantêm webcams na Times Square para monitorar a frequência de pessoas no local, com o objetivo de acionar a bomba em um momento de movimento intenso.
O carro-bomba foi descoberto por um vendedor ambulante, que avisou a polícia quando percebeu uma fumaça suspeita saindo do veículo. Faisal Shahzad foi preso 53 horas depois no aeroporto JFK, já a bordo de um avião que se preparava para decolar com destino a Dubai.
Filho de um piloto da força aérea paquistanesa, o jovem veio estudar nos Estados Unidos aos 18 anos, e em 2009 conseguiu a cidadania americana. Ele trabalhava como analista financeiro e era casado com outra paquistanesa-americana, com quem tem dois filhos.