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Aviões militares atacam capital da Líbia, segundo TV

Pelo menos 61 pessoas teriam morrido só hoje

Manifestantes protestam contra o líder Muammar Gaddafi
Manifestantes protestam contra o líder Muammar Gaddafi Foto : Gianluigi Guercia/ AFP
Pelo menos 61 pessoas morreram nesta segunda-feira na capital da Líbia, Tripoli, em mais um dia de protestos contra o líder Muammar Gaddafi, segundo a rede de televisão árabe Al Jazeera. Uma força militar em aviões e munida de armas pesadas abriu fogo contra manifestantes na tarde de hoje, disseram testemunhas. Gaddafi está há 40 anos no poder.

O pesquisador e ativista de direitos humanos Ahmed Elgazir, do Libyan News Centre (LNC), relatou à Al Jazeera que as forças de segurança do país estão “massacrando” os manifestantes em Tripoli. Autoridades líbias cortaram a conexão via discada e wireless em todo o país, impedindo os moradores de se comunicar.

Um morador da capital afirmou à televisão inglesa BBC que os ataques aéreos ocorreram mais cedo e de forma indiscriminada. Segundo ele, às 15h (horário de Brasília), os aviões já haviam ido embora. “Eles não fazem distinção entre brancos e pretos, manifestantes ou não, são mercenários atirando bombas. Ontem, mesmo as pessoas que iam para as sacadas de suas casas ver o que acontecia eram atacadas”, descreveu, chorando.

ONU

O vice-embaixador da Líbia na Organização das Nações Unidas (ONU), Ibrahim Dabbashi, pediu hoje a Kadafi que renuncie. Segundo ele, se Kadafi não deixar o poder, "o povo líbio irá se livrar dele". Dabbashi também apelou à comunidade internacional que imponha uma zona de restrição aérea sobre o espaço aéreo líbio, para evitar que Kadafi traga mercenários, armas e outros suprimentos de países africanos para abastecê-lo e às suas bases leais.

O diplomata líbio disse que a delegação líbia na ONU também apela ao Tribunal Penal Internacional (TPI) que investigue possíveis crimes contra a humanidade cometidos contra o povo líbio durante os atuais protestos. A organização não governamental norte-americana Human Rights Watch (HRW) afirmou que os confrontos durante os protestos contra o regime de Kadafi na Líbia, iniciados em 17 de fevereiro, já deixaram 233 mortos.

Comissão

Nesta segunda-feira, Seif al-Islam, filho de Kadhafi, anunciou a criação de uma comissão para investigar a violenta repressão dos manifestantes, informou a televisão estatal líbia. A comissão, que será dirigida por um juiz, incluirá "membros de organizações de direitos humanas líbias e estrangeiras", acrescentou a fonte.

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