O pesquisador e ativista de direitos humanos Ahmed Elgazir, do Libyan News Centre (LNC), relatou à Al Jazeera que as forças de segurança do país estão “massacrando” os manifestantes em Tripoli. Autoridades líbias cortaram a conexão via discada e wireless em todo o país, impedindo os moradores de se comunicar.
Um morador da capital afirmou à televisão inglesa BBC que os ataques aéreos ocorreram mais cedo e de forma indiscriminada. Segundo ele, às 15h (horário de Brasília), os aviões já haviam ido embora. “Eles não fazem distinção entre brancos e pretos, manifestantes ou não, são mercenários atirando bombas. Ontem, mesmo as pessoas que iam para as sacadas de suas casas ver o que acontecia eram atacadas”, descreveu, chorando.
ONU
O vice-embaixador da Líbia na Organização das Nações Unidas (ONU), Ibrahim Dabbashi, pediu hoje a Kadafi que renuncie. Segundo ele, se Kadafi não deixar o poder, "o povo líbio irá se livrar dele". Dabbashi também apelou à comunidade internacional que imponha uma zona de restrição aérea sobre o espaço aéreo líbio, para evitar que Kadafi traga mercenários, armas e outros suprimentos de países africanos para abastecê-lo e às suas bases leais.
O diplomata líbio disse que a delegação líbia na ONU também apela ao Tribunal Penal Internacional (TPI) que investigue possíveis crimes contra a humanidade cometidos contra o povo líbio durante os atuais protestos. A organização não governamental norte-americana Human Rights Watch (HRW) afirmou que os confrontos durante os protestos contra o regime de Kadafi na Líbia, iniciados em 17 de fevereiro, já deixaram 233 mortos.
Comissão
Nesta segunda-feira, Seif al-Islam, filho de Kadhafi, anunciou a criação de uma comissão para investigar a violenta repressão dos manifestantes, informou a televisão estatal líbia. A comissão, que será dirigida por um juiz, incluirá "membros de organizações de direitos humanas líbias e estrangeiras", acrescentou a fonte.