Apuradas 78,38% das urnas, de acordo com o Serviço Eleitoral, Bachelet, a primeira mulher que chegou à presidência do Chile em 2006, enfrentará Matthei, deputada e ex-ministra do Trabalho, dia 15 de dezembro.
Candidatas viveram juntas em base militar na infância
Michelle Bachelet Evelyn Matthei compartilharam a infância na base militar onde suas famílias viviam. Quase 55 anos depois, ambas estarão em um inédito segundo turno no dia 15 de dezembro, quando pela primeira vez duas mulheres se enfrentam no Chile, com projetos diametralmente distintos e uma história trágica comum que tem seus pais como protagonistas.
Quando Michelle Bachelet tinha seis anos e Evelyn quatro, passeavam juntas de bicicleta pela base aérea de Cerro Moreno, na cidade de Antofagasta, no norte do Chile. Suas famílias viviam quase em frente e seus pais eram bons amigos, mas o golpe de Estado que instaurou a ditadura de Augusto Pinochet, em 1973, deu uma quinada em suas vidas.
Alberto Bachelet foi preso nesse mesmo dia e torturado até a morte por se manter fiel ao governo de Salvador Allende. Fernando Matthei era o encarregado do local onde ficou preso e depois fez parte da junta militar do regime.
A corrida presidencial chilena tem "esses componentes tão dramáticos e incríveis, como o de duas crianças que brincaram juntas nos anos 50 depois que se transformaram em candidatas de lados opostos", disse a jornalista Rocío Montes, co-autora do livro 'Filhas de General', que aprofunda a história de ambas as candidatas. "Alguém dizia que um dos grandes mistérios da política chilena é ver se isso é casual ou fruto da história", acrescenta a autora.
"Nos surpreendemos ao nos dar conta que não só eram conhecidos dentro da Força Aérea, não só eram amigos, mas que eram os melhores amigos dentro da instituição", acrescenta Montes.