A epidemia de cólera já deixou 253 mortos no Haiti, dois deles em um povoado próximo à capital, Porto Príncipe. Mais de 3,1 mil pessoas estão hospitalizadas, segundo um balanço oficial divulgado neste domingo pelo diretor-geral do Ministério da Saúde, Gabriel Thimoté. O percentual de pessoas hospitalizadas diminuiu desde ontem.
A ONU confirmou neste domingo cinco casos de cólera em Porto Príncipe, mas informou que não há um novo foco de epidemia e que essas pessoas chegaram à região já infectadas."Dos cinco casos confirmados de cólera em Porto Príncipe, quatro eram de pessoas originárias de Artibonite (norte) e uma do departamento Centro", informou o Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários das Nações Unidas (OCHA). "Estes casos não constituem uma propagação da epidemia, já que não se trata de um novo foco", e "a identificação destes cinco casos na capital, ainda que preocupante, demonstra que o sistema de vigilância da epidemia funciona", acrescenta.
O cólera, doença altamente contagiosa causada por uma bactéria, provoca fortes diarreias. Na ausência de cuidados médicos baseados primeiro em hidratação, a gravíssima perda de líquidos pode levar à morte. As autoridades buscam conter sua propagação da doença, facilitada pelas precárias condições em que o país se encontra após o terremoto de janeiro. Milhares de desabrigados pelo terremoto vivem em acampamentos, principalmente nos arredores de Porto Príncipe, em péssimas condições sanitárias, o que facilita os contágios.
Um doente de cólera pode perder até 10% de seu peso em quatro horas."Sabe-se, entretanto, como prevenir as mortes causadas pelo cólera", segundo a coordenadora adjunta de ajudas de emergência da ONU, Catherine Bragg, especialmente utilizando antibióticos, purificando a água e distribuindo produtos de higiene.
O Haiti é o país mais pobre da América e foi arrasado no dia 12 de janeiro por um terremoto que deixou mais de 250 mil mortos e 1,5 milhão de desabrigados. A já precária infraestrutura do país ficou destruída. Até agora, não foi registrado nenhum caso de cólera na vizinha República Dominicana, mas a crise sanitária levou o governo haitiano a "mobilizar um plano de emergência na zona da fronteira", segundo a OPS.
O cólera estava erradicado do Haiti havia mais de um século, mas após violentas chuvas reapareceu na última semana em diversas regiões do norte da ilha como resultado da má qualidade da água potável.O rio Artibonite, acusado de ser o gerador da epidemia, atravessa o centro do Haiti e é utilizado pela população para diversas atividades cotidianas.
Balanço oficial de mortos por cólera no Haiti supera os 250
ONU informou que não há novo foco da epidemia na capital, Porto Príncipe