"Os credores privados farão um esforço voluntário e esta solução evitará que a Grécia entre em 'default' com uma redução de 100 bilhões da dívida total de 350 bilhões de euros, que será reduzida a 120% do PIB até 2020", afirmou Sarkozy.
Segundo o presidente francês, o esforço será similar para todos os bancos credores, tanto gregos como estrangeiros. Sarkozy revelou que ele e a chefe do governo alemão, Angela Merkel, estiveram "em contato com representantes dos banqueiros, não para negociar, mas para informá-los das decisões".
O Instituto de Finanças Internacionais (IIF), que representa os grandes bancos, saudou o acordo. "Em nome do setor privado, o IIF está de acordo em trabalhar com a Grécia, com as autoridades da zona do euro e com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para desenvolver um acordo voluntário e concreto sobre a base firme de uma redução de 50% da dívida nacional grega", declarou o diretor do instituto, Charles Dallara.
Sarkozy informou ainda que os líderes europeus acertaram o aumento da capacidade de resposta do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) para 1 trilhão de euros, ao final de mais de dez horas de reunião na capital belga, Bruxelas. Dotado atualmente de 440 bilhões de euros, o Fundo é insuficiente para socorrer um país como a Itália, terceira economia da Eurozona.
A cúpula de Bruxelas também acertou elevar os fundos de capital próprio dos bancos para 9% do total de seus ativos até 30 de junho de 2012, contra os 5% atuais. Até que se chegue a esse objetivo, os bancos terão que ficar sujeitos a certas obrigações sobre a divisão dos dividendos e o pagamento de bonificações.
Em troca, a Eurozona se comprometeu a recapitalizar os bancos europeus com o dinheiro necessário para reduzir o impacto do prejuízo. A Autoridade Bancária Europeia (EBA, da sigla em inglês) calculou na quarta-feira que os bancos europeus necessitam de 106 bilhões de euros, sendo 30 bilhões para os gregos, 26,161 bilhões para as instituições espanholas, 14,770 bilhões para os italianos e 8,840 bilhões de euros para os bancos franceses.
Sarkozy felicitou o Banco Central Europeu (BCE) por estar "por trás das decisões adotadas", e citou o próximo governador do BCE, o italiano Mario Draghi. A decisão em Bruxelas foi qualificada como uma "nova era" para a Grécia pelo primeiro-ministro Giorgos Papandreu.
O presidente da União Europeia (UE), Herman Van Rompuy, festejou os resultados: "Somos todos conscientes de que a situação é séria e que esta crise ameaça toda a Eurozona".