Esta nova tragédia - um ano depois do naufrágio de outro barco de emigrantes que iam para a Austrália - provocou uma onda de indignação entre as associações australianas de ajuda aos refugiados, que questionam a política de imigração de seu país.
"O barco naufragou no sábado à noite. Foram iniciados os trabalhos de busca, mas as difíceis condições meteorológicas fazem com que a visibilidade seja muito reduzida", declarou à agência estatal da Indonésia Antara um membro da equipe de resgate, Brian Gauthier. Os demais "devem ser evacuados o quanto antes. Não poderão aguentar durante muito tempo em meio ao mar", advertiu Gauthier.
As autoridades acreditam que o barco pode ser uma embarcação de pesca tradicional com capacidade para uma centena de passageiros, embora alguns dos resgatados tenham afirmado que cerca de 250 pessoas estavam a bordo. Em relação aos outros passageiros, "é muito provável que tenham se afogado", declarou o porta-voz da Agência Nacional de Resgate, Gagah Prakoso. "Enviamos quatro barcos e dois helicópteros, mas não vimos ninguém".
"É impossível, inclusive para um bom nadador equipado com um colete salva-vidas, voltar à costa em tais condições meteorológicas. Quando os barcos naufragam, os corpos sobem à superfície no terceiro dia", acrescentou.
Armaghan Haidar, um estudante afegão de 17 anos que sobreviveu, disse que estava dormindo quando sentiu o barco se mover violentamente devido à tempestade. "Senti água em meus pés e isso me despertou. O barco afundava, as pessoas estavam em pânico, gritavam, tentavam sair", disse ele em um abrigo de Prigi Beach, um balneário da costa sul, situado 640 quilômetros a sudeste de Jacarta. "Consegui sair do barco e me agarrar com outros 100 na parte externa. Outros 100 ficaram presos no interior", acrescentou.
Os sobreviventes contaram que vinham, assim como os que agora estão desaparecidos, do Irã e do Afeganistão. Pagaram aos traficantes entre 2,5 mil dólares e 5 mil dólares por sua viagem à Austrália.