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Beduínos libertam brasileiras sequestradas no Egito

Duas mulheres haviam sido sequestradas em ônibus que viajava pelo sudeste do Sinai

Depois de negociações iniciadas pelo Ministério do Interior do Egito, as duas turistas brasileiras que haviam sido sequestradas por beduinos foram soltas, na noite deste domingo. A informação é da agência egípcia de notícias, Mena. Além delas, um guia local na Península do Sinai também foi capturado. As turistas retornavam de uma visita ao mosteiro histórico de Santa Catarina, no sudeste do Sinai, quando um grupo armado anunciou o sequestro.

Uma fonte informou que dois beduínos armados pararam um ônibus com 38 turistas e obrigaram as duas brasileiras e o guia a entrar em outro veículo, que partiu rumo às montanhas da península. Fontes oficiais apresentaram informações conflitantes sobre a idade das vítimas. Uma informação preliminar afirmava que as duas eram adolescentes, mas um policial disse que uma tem 18 anos e a outra, 40.

Segundo uma fonte policial, um dos sequestradores é o pai de um homem condenado por tráfico de drogas e armas e esperava obter a libertação do filho em troca das reféns. O sequestro deste domingo, o terceiro caso do tipo envolvendo turistas só este ano, é o último de uma série de incidentes violentos que coloca em cheque os militares, no poder desde que o presidente Hosni Mubarak foi deposto por uma revolta popular, em fevereiro de 2011. Em 10 de fevereiro passado, beduínos armados sequestraram três turistas sul-coreanas e seu guia egípcio na mesma região.

Uma semana antes, dois turistas americanos e seu guia também foram sequestrados por beduínos, que também exigiam a libertação de companheiros detidos. Os turistas e o guia foram libertados horas depois ilesos, assim como 25 trabalhadores chineses que haviam sido sequestrados em janeiro.

A desértica e montanhosa região do Sinai, no leste do país, é pouco habitada e abriga a maior parte dos resorts egípcios. Ao mesmo tempo, serve como local de moradia de grande parte da população beduína pobre,  marginalizada pelo antigo regime, e que pegou em armas durante a rebelião que terminou com quase 30 anos de poder de Mubarak.

Desde a revolta, o Sinai se tornou uma área ainda mais violenta, com ataques a delegacias de polícia e explosões frequentes contra oleodutos que levam gás ao vizinho Israel, sabotados 13 vezes este ano. Os militares têm dificuldades para controlar os grupos radicais nesta região desértica e montanhosa do leste do país. Contribui para isto a escassa presença do exército, devido à desmilitarização do setor, contemplada nos acordos de paz com Israel. Uma base militar da Força Multinacional de Paz e Observadores (MFO), encarregada de zelar pela aplicação do acordo de paz entre Egito e Israel de 1979, foi cercada durante oito dias por beduínos armados que também pediam a libertação de membros de suas tribos.

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