O grupo de estátuas de mármore, instalado desde fevereiro no pórtico de honra do Palazzo Chigi, ainda recebeu outro tratamento pouco ortodoxo: um fundo azul muito kitsch, escolha do arquiteto pessoal do Cavaliere, Mario Catalano.
Datando de 175 depois de Cristo e encontrada em 1918 em Ostia, cidade próxima a Roma, o grupo de esculturas, que pesa 1,4 tonelada e medem 2,28 metros de altura, representa o deus da Guerra com os traços do imperador Marcos Aurélio e a deusa do Amor com os de sua mulher Faustina.
A transferência da obra do Museu Romano das Termas de Diocleciano para o palácio, onde trabalha Berlusconi, criou polêmica, uma vez que o público foi privado de admirar as peças que devem retornar ao museu no fim da atual legislatura, em 2013, conforme prevê o acordo de empréstimo.
A intervenção estética, pedida expressamente pelo presidente do Conselho a seu arquiteto, está em total contradição com as regras rígidas da Itália sobre restauração de obras de arte tão delicadas. Segundo elas, os trabalhos de restauração não devem enganar o espectador e mostrar a diferença entre o que é verdadeiramente original e o que foi restaurado.
Berlusconi compara estátuas italianas às chinesas para se justificar
"Por que as esculturas na China têm um aspecto novo, enquanto que as nossas faltam braços e cabeças?" questionou Berlusconi ao seu arquiteto quando a estátua foi entregue, de acordo com La Repubblica.
O pedido do primeiro-ministro ainda coincide com o momento em que o Ministério da Cultura sofreu cortes de 46% de seu orçamento para o ano que vem. A "operação" nas estátuas tem custo previsto de 70 mil euros. O fato causou polêmica, assim como o colapso da Casa dos Gladiadores em Pompeia no dia 6 de novembro, mostrando a pobreza de conservação de vários locais.
O partido democrata PD, de oposição, interrogou o ministro da Cultura Sandro Bondi, culpando-o de "ceder seu Ministério aos caprichos e loucuras do presidente do Conselho". "Bondi acha normal, que ao violar a legislação em vigor, o famoso grupo de mármore tenha sido submetido a uma verdadeira cirurgia plástica?", irritou-se a deputada do PD encarregada da cultura, Manuela Ghizzoni.
Por sua vez, o arquiteto de Berlusconi se defendeu ao destacar que as "próteses" colocadas nas estátuas eram "removíveis". "Tratam-se de restituições efetuadas nas regras que servem para fazer com que as obras sejam vistas da forma como foram esculpidas", acrescentou.