Biden aponta desafios "alarmantes" para a democracia no mundo

Biden aponta desafios "alarmantes" para a democracia no mundo

Presidente dos Estados Unidos alertou, nesta quinta-feira, que todas as regiões do mundo enfrentam "graus de retrocesso democrático"

AFP

Presidente dos Estados Unidos alertou, nesta quinta-feira, que todas as regiões do mundo enfrentam "graus de retrocesso democrático"

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A democracia enfrenta "desafios contínuos e alarmantes" em todo o mundo, afirmou nesta quinta-feira (9) o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, ao inaugurar uma cúpula virtual sobre a democracia com participação de representantes de cerca de 100 países. Biden estimou que a tendência "aponta em grande parte na direção equivocada" e que a democracia precisa de "heróis".

"Estamos em um ponto de inflexão", acrescentou o governante democrata. "Permitiremos que o retrocesso dos direitos e da democracia continue de forma desenfreada?"

Para a Casa Branca, o encontro, que acontece virtualmente devido à pandemia, encarna a liderança dos Estados Unidos em uma luta existencial entre democracias e ditaduras ou autocracias. "Não se enganem, estamos em um momento de avaliação democrática", afirmou Uzra Zeya, subsecretária de Estado para Segurança Civil, Democracia e Direitos Humanos. "Países de praticamente todas as regiões do mundo experimentaram graus de retrocesso democrático", adverte.

A cúpula, que começou com as palavras de Biden e do secretário de Estado, Antony Blinken, conta com a participação de representantes de quase 100 governos, além de ONGs, empresas, organizações filantrópicas e legislaturas.

Biden chega à cúpula com os Estados Unidos imersos em problemas relacionados à ordem democrática. Seu antecessor republicano Donald Trump continua em uma campanha para alterar as normas políticas do país e reverter os resultados das eleições de 2020, nas quais foi derrotado por Biden.

Além disso, surgiram tensões sobre quem deveria fazer parte ou ficar de fora da lista. China e Rússia, que Biden considera autocracias, ficaram deliberadamente de fora, o que segundo estes países estimula uma "brecha ideológica". "Nenhum país tem o direito de julgar o vasto e variado panorama político do mundo com um único critério", escreveram Anatoly Antonov e Qin Gang, os embaixadores da Rússia e da China em Washington. 

O que irritou Pequim foi o convite do governo americano a Taiwan, ilha governada democraticamente e que a China continental considera parte de seu território, embora não esteja sob seu controle. 

Na segunda-feira, Washington também anunciou que não enviará funcionários do governo aos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim em fevereiro, como forma de protesto pelas violações dos direitos humanos, incluindo o "genocídio" contra o grupo étnico dos uigures na região de Xinjiang.

Austrália, Reino Unido e Canadá se uniram ao boicote diplomático, mas seus atletas disputarão os Jogos. E mais uma vez a Rússia se uniu a China para criticar a decisão. Decidir quando outros países deveriam ser excluídos da reunião por violações dos direitos humanos ou fraude eleitoral também foi complicado. 

Por exemplo, Paquistão e Filipinas estão dentro, enquanto o governo nacionalista da Hungria, membro da União Europeia, ficou de fora. O presidente de direita brasileiro Jair Bolsonaro foi convidado, enquanto o presidente da Turquia - país membro da Otan -, Recep Tayyip Erdogan, está fora.

Na América Latina e Caribe foram excluídos os governos de oito países: Nicarágua, Cuba, Bolívia, El Salvador, Honduras, Guatemala, Haiti e Venezuela, mas foi convidado Juan Guaidó, líder opositor venezuelano a Nicolás Maduro.

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