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Bolívia chega a acordo com mineiros; La Paz segue bloqueada

Setores seguem com bloqueios na capital boliviana após confronto e reivindicações de manifestantes contra governo do presidente Rodrigo Paz

Polícia impediu a entrada dos mineiros na praça de armas com gás lacrimogêneo, enquanto os manifestantes lançavam pedras e explosivos com estilingues
Polícia impediu a entrada dos mineiros na praça de armas com gás lacrimogêneo, enquanto os manifestantes lançavam pedras e explosivos com estilingues Foto : AIZAR RALDES / AFP

O governo da Bolívia chegou a um acordo nesta sexta-feira (15) com milhares de mineiros que entraram em confronto com a polícia em um protesto que paralisou o centro de La Paz. No entanto, outros setores mantêm bloqueados os acessos à cidade, sede do Executivo e do Congresso.

Na quinta-feira, a polícia impediu a entrada dos mineiros na praça de armas com gás lacrimogêneo, enquanto os manifestantes lançavam pedras e explosivos com estilingues, constatou a AFP. Eles exigiam a renúncia do presidente de centro-direita Rodrigo Paz, no poder desde novembro, por considerarem que ele não havia atendido suas reivindicações.

Os manifestantes pressionavam por abastecimento de combustíveis, ampliação de áreas de mineração e fornecimento de explosivos para trabalhar, entre outras demandas. A Bolívia atravessa sua pior crise econômica em 40 anos devido a uma aguda escassez de dólares. A inflação acumulada em 12 meses foi de 14% em abril.

O governo, no entanto, alcançou um acordo após uma negociação que se prolongou por horas até a madrugada desta sexta-feira. "Tivemos uma reunião muito longa, quase 12 horas conversando", disse à imprensa José Gabriel Espinoza, ministro da Economia. "Conseguimos vários acordos", acrescentou sem dar detalhes.

Protestos persistem em La Paz

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Desde o início de maio, protestos de diferentes setores pressionam o governo de Paz. Operários, camponeses, professores, indígenas e transportadores ainda se manifestam em ruas e rodovias com reivindicações como aumentos salariais, estabilização da economia e não privatização de empresas públicas.

Apesar do anúncio, nesta sexta-feira foram registrados ao menos 26 pontos de bloqueio em estradas, a maioria nos acessos a La Paz, segundo a estatal Administradora Boliviana de Carreteras, o que impede o abastecimento regular de alimentos da cidade. Os preços de alguns produtos dispararam nos mercados.

O governo anunciou que a Argentina fornecerá dois aviões para reforçar a "ponte aérea" mobilizada desde domingo para contornar os bloqueios e levar carnes e vegetais a La Paz. Trata-se de uma resposta comum do país quando surgem esse tipo de medida de pressão.

Em uma declaração conjunta emitida nesta sexta-feira, os governos da Argentina, Chile, Peru, Equador, Costa Rica, Paraguai, Panamá e Honduras expressaram preocupação com a situação do país. "Rejeitamos toda ação orientada a desestabilizar a ordem democrática" e "exortamos todos os atores políticos e sociais a canalizar suas diferenças privilegiando o diálogo, o respeito às instituições e a preservação da paz social", afirmaram em um comunicado.

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