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Bombardeio russo deixa ao menos 24 mortos na Ucrânia

Centenas de drones atacaram mais de 20 locais da capital Kiev

Familiares de vítimas se emocionam após ataque russo em Kiev
Familiares de vítimas se emocionam após ataque russo em Kiev Foto : Tetiana Dzhafarova / AFP

Os intensos ataques russos dessa quinta-feira contra Kiev, com centenas de drones e dezenas de mísseis, deixaram pelo menos 24 mortos, entre eles três crianças, informaram nesta sexta-feira as equipes de resgate, o que reduz ainda mais as esperanças de que o conflito seja interrompido.

A força aérea ucraniana informou que a Rússia lançou 675 drones de ataque e 56 mísseis, principalmente contra a capital, Kiev, e acrescentou que suas unidades de defesa aérea derrubaram 652 drones e 41 mísseis.

Jornalistas da AFP na capital ouviram as sirenes antiaéreas antes de várias ondas de fortes explosões obrigarem os moradores a se refugiar em estações de metrô. O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, afirmou que mais de 20 locais da capital foram danificados, incluindo prédios residenciais, uma escola, uma clínica veterinária e outras infraestruturas civis.

"Os trabalhos continuam em Kiev no local do impacto sobre o edifício, um ataque com míssil russo que literalmente arrasou um bloco de apartamentos, do primeiro ao nono andar", disse Zelensky.

Vinte e quatro pessoas, entre elas três crianças, morreram em consequência dos ataques, informou o serviço de emergências da Ucrânia na madrugada desta sexta, ao atualizar um balanço anterior.

Na quinta-feira, jornalistas da AFP haviam presenciado cenas caóticas enquanto as equipes de resgate removiam os escombros, socorrendo feridos e recuperando os corpos de mortos.

"Tudo estava em chamas. As pessoas gritavam e pediam ajuda", relatou Andrii, morador de Kiev ainda de roupão e com manchas de sangue na camisa, perto de um prédio residencial da era soviética que desabou.

Vários corpos foram retirados dos escombros de um único prédio residencial destruído: três homens, três mulheres e uma menina, informou a polícia. As autoridades relataram 45 feridos.

"Estas não são, certamente, as ações de quem acredita que a guerra está chegando ao fim. É importante que os aliados não permaneçam em silêncio diante deste ataque", disse Zelensky.

Vários aliados da Ucrânia condenaram o ataque. "A Rússia zomba abertamente" dos esforços diplomáticos pela paz, denunciou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Os dois países executam com frequência ataques aéreos noturnos. As autoridades do oeste da Rússia informaram nesta sexta-feira que os bombardeios ucranianos contra a cidade de Ryazan mataram quatro pessoas e deixaram pelo menos 12 feridos. Moscou afirmou que derrubou 355 drones ucranianos sobre 15 regiões e a Crimeia anexada.

Esforços de paz enfraquecidos

Os ataques russos também deixaram feridos nas regiões de Odessa e Kherson, no sul, assim como em Kharkiv, no nordeste. A ofensiva russa representa mais um revés para as tentativas de pôr fim ao conflito, depois que o presidente americano, Donald Trump, renovou as esperanças de paz ao intermediar um cessar-fogo de três dias entre os dois países na semana passada.

O cessar-fogo, que começou coincidindo com as comemorações em Moscou da vitória soviética sobre a Alemanha nazista em 1945, foi marcado por acusações de violações de ambos os lados.

Tanto a Ucrânia quanto a Rússia lançaram ataques com drones de longo alcance imediatamente após o término do cessar-fogo.

Nesta sexta-feira, a troca de prisioneiros de guerra anunciada por Trump há uma semana foi concretizada: 205 pessoas de cada lado, informaram Kiev e Moscou.

O presidente ucraniano afirmou que "a maioria" do contingente de soldados estava em cativeiro desde 2022, ano em que começou a invasão russa. O presidente russo, Vladimir Putin, sugeriu no último fim de semana que a guerra poderia estar perto do fim.

O Kremlin minimiza a ideia de que os comentários vagos de Putin no sábado sobre um possível fim da guerra signifiquem uma mudança na posição de Moscou.

Na quarta-feira, a Rússia reiterou sua exigência de que a Ucrânia se retire completamente da região leste do Donbass antes que um cessar-fogo e negociações de paz em larga escala possam ocorrer. Kiev rejeita a exigência, considerando-a equivalente a uma rendição.