Um bombardeio russo atingiu um centro médico em Kiev nesta segunda-feira (5), deixando um morto e forçando a evacuação da unidade durante a madrugada. Outra fatalidade foi registrada nos arredores da capital, em um momento de escalada militar que coincide com a preparação para uma cúpula diplomática na França, onde líderes europeus buscarão uma saída para o conflito.
Madrugada de bombardeios e crise humanitária
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, informou que o país foi alvo de 165 drones após a meia-noite, acionando sirenes de alerta em todo o território. Na capital, o impacto contra um centro médico particular causou um incêndio e resultou na morte de um homem de 30 anos, além de deixar três feridos. Relatos da diretoria da clínica e de moradores vizinhos descrevem uma "noite terrível", marcada por explosões e a retirada emergencial de 26 pacientes em macas sob densa fumaça.
A ofensiva também atingiu a localidade de Fastiv, nos arredores de Kiev, onde o governador Mykola Kalashnik confirmou a morte de um homem após o bombardeio de residências e infraestruturas essenciais. Com temperaturas caindo para -8°C, o governo regional ativou sistemas de emergência para garantir o fornecimento de água e calefação após cortes de energia provocados pelos ataques.
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Diplomacia em Paris e o impasse territorial
A intensificação dos ataques russos ocorre enquanto Kiev e seus aliados tentam finalizar um plano de paz apoiado pelos Estados Unidos, que Zelensky afirma estar "90% concluído". No último fim de semana, conselheiros de segurança de 15 países, incluindo Reino Unido, França e Alemanha, reuniram-se em Kiev para preparar o terreno para o encontro em Paris. A negociação contou com a participação virtual do enviado especial americano, Steve Witkoff.
Apesar do esforço diplomático, as posições seguem distantes. A Rússia, que ocupa cerca de 20% do território ucraniano, exige o controle total da região do Donbass como condição para o acordo. Em contrapartida, a Ucrânia assegura que não assinará qualquer tratado que não ofereça garantias reais contra futuras invasões. No campo de batalha, Moscou mantém a pressão e reivindicou nesta segunda-feira a tomada da localidade de Grabovsky, na região de Sumy, no nordeste do país.