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Brasil defende suspensão do Paraguai no Mercosul

Ministro de Relações Exteriores confirmou a entrada da Venezuela no bloco em 31 de julho

Antonio Patriota defendeu no Senado a suspensão do Paraguai no Mercosul
Antonio Patriota defendeu no Senado a suspensão do Paraguai no Mercosul Foto : Evaristo Sa / AFP / CP
O ministro de Relações Exteriores Antonio Patriota defendeu nesta quarta-feira, no Senado, a suspensão do Paraguai da Unasul e do Mercosul, e confirmou a entrada da Venezuela no dia 31 de julho, advertindo que a posição da OEA ainda não foi decidida. "A suspensão do Paraguai do Mercosul e da Unasul mostrou que a região não tolera desvios que comprometam a plena vigência da democracia no continente", disse Patriota.

"Era necessário enviar um sinal claro, não apenas ao governo do Paraguai, mas também a todos os países da região: um sinal inequívoco de que, nesta região, não há mais espaço para aventuras antidemocráticas", completou o chanceler. A Unasul e o Mercosul decidiram suspender o Paraguai após a destituição do presidente Fernando Lugo, no dia 22 de junho, em um julgamento político sumário no Congresso.

Patriota ressaltou que a decisão dos países sul-americanos foi unânime, que a destituição de Lugo representou "uma ruptura da ordem democrática", e que "o Paraguai voltará a participar plenamente (do Mercosul e da Unasul) quando for restaurada a plena vigência da ordem democrática".

O chanceler também afirmou que não correspondem a uma posição da Organização dos Estados Americanos (OEA) as declarações de seu secretário-geral, José Miguel Insulza, que, após uma visita ao Paraguai, criticou que aquele país seja suspenso da organização continental. "A OEA é uma organização que é o conjunto de seus Estados-membros, que são 34. O que ocorreu foi uma manifestação do secretário-geral, que não reflete um consenso entre os Estados membros, porque ainda não se chegou a um consenso", afirmou Patriota.

"A verdade é que a OEA não tomou nenhuma posição, e ainda está em deliberação sobre o tema", ressaltou, apoiando que a Unasul fale em uma só voz junto à OEA, "na linha das decisões tomadas de repúdio à ruptura democrática" no Paraguai.

Oposição critica decisão de expulsar o Paraguai do Mercosul


Senadores da oposição criticaram a decisão de expulsar o Paraguai do Mercosul, principalmente a entrada da Venezuela no bloco. "A decisão de suspender o Paraguai e, no mesmo momento, decidir pela entrada da Venezuela, foi um golpe digno de um grêmio estudantil de quinta categoria", denunciou Aloysio Nunes Ferreira, do PSDB, que questionou a democracia na Venezuela.

O Brasil tem grande interesse na relação econômica com a Venezuela, país com cerca de 30 milhões de habitantes que compra boa parte do que consome. O comércio bilateral somou 5,858 bilhões de dólares em 2011, com superávit de 3,325 bilhões para o Brasil, e investimentos de empresas brasileiras no valor de 20 bilhões de dólares. Embora tenha sido firme na suspensão do Paraguai, Patriota assinalou a posição de não tomar medidas econômicas que prejudiquem a "nação irmã", onde vivem mais de 250 mil brasileiros.

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