O governo brasileiro qualificou nesta quinta-feira de "ilegítimo" o novo mandato do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que horas antes foi empossado em Caracas. Conforme comunicado do Brasil, o poder Executivo deve recair sobre a Assembleia Nacional.
"Tendo em vista que nesta data, 10 de janeiro de 2019, Nicolás Maduro não atendeu às exortações do Grupo de Lima, formuladas na Declaração de 4 de janeiro, e iniciou novo mandato presidencial ilegítimo, o Brasil reafirma seu pleno apoio à Assembleia Nacional, órgão constitucional democraticamente eleito, ao qual neste momento incumbe a autoridade executiva na Venezuela, de acordo com o Tribunal Supremo de Justiça legítimo daquele país", definiu a nota. "O Brasil confirma seu compromisso de continuar trabalhando para a restauração da democracia e do estado de direito na Venezuela, e seguirá coordenando-se com todos os atores comprometidos com a liberdade do povo venezuelano", acrescentou o Itamaraty.
Mais cedo nesta quinta-feira, a Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovou uma resolução para declarar ilegítimo o segundo mandato de Maduro, não reconhecido por grande parte da comunidade internacional. A resolução pede a "realização de novas eleições presidenciais com todas as garantias necessárias para um processo livre, justo, transparente e legítimo".
Maduro venceu em 20 de maio uma eleição boicotada pela oposição e denunciadas como uma fraude. Seu país está mergulhado em uma grave crise política e econômica que obrigou 2,3 milhões de pessoas a deixá-lo desde 2015, segundo a ONU. A crise causou escassez de alimentos e medicamentos e, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a inflação em 2019 atingirá 10.000.000%.
Brasil qualifica de "ilegítimo" novo mandato de Nicolás Maduro
Diplomacia brasileira reforçou pedido para que Assembleia Nacional assuma poder Executivo