Na nota, o governo brasileiro reafirma o repúdio a ataques contra civis e funcionários de organismos internacionais e reitera o apoio aos esforços do governo e do povo afegãos e da comunidade internacional em prol da restauração da paz e da estabilidade no Afeganistão.
O atentado ocorreu enquanto manifestantes estavam protestando contra a queima do livro sagrado do Islã, o Corão. Alguns manifestantes se aproveitaram da oportunidade para invadir o centro de operações da Organização das Nações Unidas (ONU). Pelo menos dois dos funcionários da ONU foram decapitados no ataque considerado o mais violento contra as Nações Unidas desde a invasão no Afeganistão em 2001.
Neste sábado, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, conversou por telefone com o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, a quem expressou tristeza e choque pelo ataque. Ki-moon agradeceu a Karzai pelo apoio dado a seu representante no Afeganistão, Staffan de Mistura, e “à família da ONU” no país.
Ki-moon informou ainda que enviará seu chefe de gabinete, Vijay Nambiar, e o subsecretário-geral para a Segurança, Gregory Starr, para analisar a situação de segurança. Ele garantiu que os trabalhos com a aliança continuarão visando também promover a tolerância entre todas as manifestações de fé.
Protestos prosseguem neste sábado
Novos protestos contra a queima do livro sagrado muçulmano provocaram pelo menos nove mortes no Afeganistão neste sábado. Segundo as autoridades, as vítimas eram civis e estavam com os manifestantes que destruíram carros e lojas na cidade de Kandahar, sul do país. Outras 73 pessoas se feriram e 17 foram detidas.
Queima do Corão
Na noite de domingo passado, o pastor evangélico norte-americano Terry Jones queimou um exemplar do Corão no interior de sua igreja em Gainesville, Flórida. O religioso celebrou um "julgamento" e considerou o livro sagrado dos muçulmanos "culpado" de vários delitos, entre eles, assassinato. Em seguida, executou a condenação: colocou fogo no exemplar. Muitos afegãos só ficaram sabendo do fato quando o presidente do país, Hamid Karzai, condenou o ato quatro dias depois.
Ainda assim o pastor assegurou que não se sente responsável pelo ataque. "Ficamos aflitos com esta notícia", declarou Jones que acusou "os elementos radicais do Islã de procurar uma desculpa para justificar sua violência".