Após a revolta popular na Tunísia, que levou à queda do regime de Zine El Abidine Ben Ali, há 23 anos no poder, Egito e Iêmen agora são palco de manifestações semelhantes contra seus governantes, há décadas instalados no poder. Nesta sexta, dezenas de milhares de egípcios participaram do "Dia de Ira" para pedir o fim do regime do presidente Hosni Mubarak, no poder há 30 anos.
Anulado toque re recolher para todo o país
A agência de imprensa oficial egípcia Mena anulou o anúncio da ampliação do toque de recolher para todo o país. A medida foi decretada nas cidades de Cairo, Alexandria e Suez. Mubarak "pediu às Forças Armadas que mantenham a segurança e protejam os estabelecimentos públicos e as propriedades privadas".
No Cairo, duas delegacias e a sede do partido do governo foram incendiadas. A multidão enfrentou a pedradas as forças de segurança, que usaram granadas de gás lacrimogêneo, jatos d'água e balas de borracha para conter o protesto. Em Suez, manifestantes se apoderaram das armas de uma delegacia e colocaram fogo no prédio. Uma pessoa morreu durante os incidentes.
Tumultos deixam mortos e feridos
O tumulto já deixou oito mortos e dezenas de feridos. Cerca de mil pessoas haviam sido detidas até a manhã de sexta-feira. O protesto está inspirado na "Revolução dos jasmins", um levantamento popular que derrubou neste mês o presidente tunisiano Ben Ali e gerou uma onda de contestação em todo o mundo árabe. Mubarak, de 82 anos, absteve-se, até agora, de qualquer comentário público sobre a situação.
O presidente da Comissão de Relações Exteriores da Assembleia, também membro do Partido Nacional Democrata no poder, pediu nesta sexta-feira para o presidente empreender "reformas sem precedentes" para evitar uma "revolução". "Em nenhuma parte do mundo a segurança é capaz de pôr fim à revolução", disse Mustafá Al Fekki à televisão Al Jazeera.
O opositor e Prêmio Nobel da Paz Mohamed ElBaradei, que se disse disposto a liderar um governo de transição, também participou de manifestações no Cairo. Ele foi detido numa prisão domiciliar. A jornada recebeu apoio da Irmandade Muçulmana, principal força da oposição, que até agora apoia sem grande entusiasmo as marchas convocadas por núcleos de jovens com aspirações democráticas.
Casa Branca considera situação preocupante
O presidente norte-americano, Barack Obama, disse na quinta-feira que "a violência não é uma é uma solução para os problemas do Egito". Nesta sexta, a Casa Branca considerou a situação "profundamente preocupante" e pediu ao governo egípcio o "respeito aos direitos fundamentais, para evitar a violência e permitir as comunicações".
As conexões à internet e os serviços por celulares foram interrompidas em todo o país. "Em uma ação sem precedentes na história da internet, o governo egípcio parece ter dado ordem aos provedores de cortar todas as conexões internacionais à web", escreveu em seu blog James Cowie, da Renesys, uma companhia de New Hampshire (EUA) que monitora a transmissão de dados pela internet em tempo real.