O músico Frederico Alabarse, de 35 anos, natural de Porto Alegre, relatou em conversa com o Correio do Povo os momentos de terror que viveu na noite dos ataques terroristas em Paris. Residente na França há seis anos (três na região da capital francesa), ele era frequentador da casa de espetáculos Bataclan e de alguns dos outros locais atacados. No momento dos ataques estava no cinema e foi avisado dos acontecimentos por amigos que ligavam preocupados para saber se estava bem.
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“Fiquei chocado porque são locais que eu frequento. Já fiz shows na rua do café atacado. O restaurante Le Petit Camboja (onde 14 pessoas foram mortas) é perto de um lugar que já morei. Todos os locais de alguma forma têm alguma ligação com lugares que frequento. Ontem à noite, o meu plano era sair com os amigos na região ao lado de onde aconteceram os atentados. Felizmente, uma amiga me convidou para ir ao cinema e tive chance de sair da linha de fogo”, contou.
No cinema, Frederico Alabarse começou a receber mensagens de amigos preocupados. Ainda buscando saber mais sobre os ataques passou por um momento de susto ainda maior devido à correria de pessoas assustadas com as informações que recebiam.
“Comecei a receber mensagens de amigos perguntando se eu estava bem. Não estava entendendo. Recebi mensagem de um amigo avisando que estava tendo tiroteios e atentados em Paris. Pedi informações dos locais e não era muito longe de onde eu estava. Rolou um pânico generalizado. Dentro do cinema, onde tem filmes de guerra, se escutava tiros e se via pessoas correndo. Deu um medo de estar acontecendo algo ali, afinal cinema é um alvo para esse tipo de ataque”, relatou.
Passado o susto ao saber que pelo menos no cinema não estava acontecendo nada, veio a dificuldade para voltar para casa. Foram horas preso no cinema. Sem ônibus, metrôs e táxis, o caminho para casa teve de ser feito a pé.
“Foi muito difícil voltar para casa. Ônibus e metrôs parados, os táxis estavam todos ocupados. Nos recomendaram ficar longe de vidros e do hall, onde poderia ser alvo para novos atentados. Os táxis estavam todos ocupados. Saímos do cinema buscando mais informações, já sem baterias nos celulares, mas a situação parecia mais calma. Eu e meus amigos fomos embora caminhando, demorou cerca de 30 minutos. Fomos por ruas não muito movimentadas, onde o perigo de algo era menor, até chegar em casa. Então carregamos os telefones e vimos que tinha muitas mensagens e e-mails de pessoas preocupadas”, contou o brasileiro, que tinha amigos que iriam tocar na Bataclan na noite deste sábado. “Contatei músicos amigos meus que iriam tocar na Bataclan. Felizmente, o show não era ontem e sim neste sábado, que, obviamente, foi cancelado”.
Clima de guerra ao amanhecer
A cidade de Paris amanheceu em um clima de guerra neste sábado após os atentados da noite de sexta-feira. O músico Frederico Alabarse contou que na rua viu muitos carros da polícia e do exército. Poucas pessoas saíram de casa para comprar comida e sacar dinheiro em terminais bancários.
“O clima é muito tenso. Todo mundo dentro de casa. Saí para comprar comida mais cedo. Se vê só polícia e exército. Pessoas desesperadas tirando dinheiro, esvaziando supermercados. O clima é de guerra. Todo mundo ao telefone o tempo todo buscando ainda informações. O temor é de novos atentados, uma vez que não foram pegos todos os ditos terroristas”, disse Alabarse, que relatou que o clima neste sábado é muito mais pesado que em janeiro após o ataque à revista Charlie Hebdo.
“É muito pior. Estão dizendo que é um novo 11 de setembro mundial. Que não se sabe de onde vem, onde vai. Em janeiro foi pontual. Era um dia de semana, uma quarta-feira à tarde. Já ontem foi à noite, na sexta, um horário em que as pessoas estão na rua. O clima agora é muito pior que em janeiro porque reforçou a expectativa de que outros atentados vão acontecer”, finalizou.
Brasileiro relata noite terror em Paris: “Frequentava os locais atacados”
Músico Frederico Alabarse, de 35 anos, vive na França há seis anos