De acordo com o chefe do Centro Especializado do Sistema Nacional de Prevenção e Combate de Incêndios Florestais do Ibama, José Carlos Mendes, os 49 homens e a única mulher do grupo são experientes e já enfrentaram incêndios de grandes dimensões. Mas, segundo ele, a preocupação é que os focos de incêndio se agravem pelas más condições de clima nas regiões afetadas. “Tudo fica mais difícil porque as temperaturas são elevadas, há baixa umidade e ainda existem ventos fortes que ajudam a propagar o fogo. A situação preocupa bastante”, disse Mendes. “No caso da região de Concepción, há áreas nativas e plantadas afetadas. Devemos ajudar na área nativa que é a que estamos acostumados”, completou.
O apoio do Brasil ao Chile conta ainda com a Força Aérea Brasileira (FAB), por meio da aeronave que transportará os 50 brigadistas, a Defesa Civil, que arcará com os custos de diárias para os profissionais, e o Ministério das Relações Exteriores, que coordena as ações. O governo brasileiro se dispôs ainda a enviar homens do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal e da Força Nacional, caso as autoridades chilenas solicitem. O país andino pediu auxílio também à Argentina, Austrália e aos Estados Unidos.
Única mulher do grupo, Fabíola Siqueira de Lacerda, será a responsável pela área de planejamento das operações dos brigadistas. No dia a dia, Fabíola coordena cursos de capacitação do Ibama – o que segundo ela, faz com que esteja acostuma a ser “única entre muitos homens”. “Para mim, é absolutamente normal e não influencia em nada”, confirmou.
A brigadista disse que não teme o trabalho que vai desempenhar, mesmo que sete bombeiros chilenos tenham morrido esta semana ao tentar apagar focos de incêndio. “Não há por que ter medo, pois somos treinados para enfrentar esse tipo de situação. O importante é seguir o planejamento e manter sempre uma rota de fuga”, declarou.
No Chile, os focos de incêndio se espalharam nos últimos dias. Apenas nessa sexta-feira, um incêndio na Região Sul do país causou sete mortes – todas as vítimas eram bombeiros. Em dez dias, mais de 50 incêndios queimaram 50 mil hectares de florestas. As áreas mais afetadas são Bío-Bío, Maule e Araucanie, localizadas a 500 e 700 quilômetros de Santiago, a capital chilena. As labaredas alcançaram também a região da Patagônia argentina.