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Buscas no Costa Concordia são retomadas

Conselho italiano decidiu decretar estado de catástrofe natural na zona do naufrágio

Buscas no Costa Concordia são retomadas
Buscas no Costa Concordia são retomadas Foto : Vincenzo Pinto / AFP / CP
Equipes de socorro retomaram no início da noite desta sexta-feira as buscas no "Costa Concordia", que se desloca alguns milímetros a cada hora, enquanto uma comovente cerimônia reuniu na ilha de Giglio os parentes das pessoas mortas no naufrágio. "O barco estabilizou-se e as buscas foram retomadas na parte superior" do cruzeiro, que está emergida, já que cerca de 20 pessoas continuam desaparecidas, anunciou à AFP Alessandro Busonero, porta-voz da marinha italiana.

A decisão de retomar a exploração foi tomada após uma série de reuniões que constataram que o barco tinha se estabilizado. "Verificamos que as oscilações ocorridas na noite anterior não têm um movimento contínuo", afirmou aos jornalistas no local Cosimo Nicastro, porta-voz da Guarda Costeira.

Em relação à parte que está debaixo d'água, "mais perigosa" e da qual os oficiais da marinha de guerra se encarregaram, amanhã será feita uma nova avaliação dos dados sobre a posição do barco. Se continuar estável, mergulhadores serão enviados para revisar a ponte número três e ver se encontram alguém.

Catástrofe natural

O Conselho de Ministros italiano decidiu hoje decretar o estado de catástrofe natural na zona afetada pelo naufrágio do navio Costa Concórdia, no dia 13, na costa da Toscana, na Itália. A decisão foi confirmada pelo ministro das Relações com o Parlamento, Piero Giarda, à saída do Conselho de Ministros.

A medida “implica que todas as operações ligadas ao acidente são de interesse nacional e requerem a participação das instituições nacionais, do governo e da região”, explicou o ministro do Ambiente, Corrado Clini. “O nível de recursos necessários será definido a partir do plano que iremos adotar”, disse.

As autoridades italianas temem um desastre ecológico caso comecem a sair para o mar as 2.380 toneladas de combustível, que ainda permanecem nos reservatórios do navio. O bombeamento do combustível tampouco pôde começar. A operação poder durar algumas semanas – é muito complicada, já que é preciso aquecer o combustível para que ele se torne mais líquido. Quando o Costa Concordia se chocou contra uma rocha, a 300 metros da ilha, os tanques de combustível estavam quase cheios.

Homenagem às vítimas

À tarde, uma comovente cerimônia foi realizada na ilha toscana, onde famílias de algumas das 11 pessoas que morreram dirigiram-se ao barco próximo ao navio naufragado para jogar flores antes de voltar para rezar em uma pequena igreja local.

Onze pessoas morreram no naufrágio de sexta-feira passada e cerca de 20 permanecem desaparecidas. As buscas estiveram interrompidas durante quase toda a quarta-feira e foram retomadas na quinta-feira. Nesta sexta-feira, o navio se moveu, fazendo com que as equipes de socorro suspendessem as buscas.
 
A ira dos familiares aumentou na quinta-feira, depois que o peruano Saturnino Soria, pai da jovem desaparecida Erika, pediu publicamente às autoridades italianas que o comandante do navio, Francesco Schettino, "não fique impune pelo que fez". A libertação do controverso comandante do navio, acusado de ser o principal responsável pela tragédia e que se encontra em prisão domiciliar em sua residência de Meta de Sorrento, perto de Nápoles, gerou irritação entre os parentes das vítimas que esperam notícias na ilha de Giglio, onde ocorreu a tragédia.

Prisão domiciliar

Acusado de homicídio múltiplo, abandono de navio e naufrágio, acusações que podem significar uma sentença de 12 anos de prisão, Schettino foi detido no sábado por ordem da promotoria por medo de que manipulasse as provas e pelo risco de fuga. Segundo o presidente da empresa Costa Crociere, proprietária da embarcação, Pier Luigi Foschi, o capitão do Costa Concordia "não foi honesto" com os responsáveis em terra ao explicar a situação. "Pessoalmente penso que não foi honesto. Não tenho elementos para dizer se estava lúcido. Penso que estava perturbado de um ponto de vista emocional", declarou em uma entrevista ao Corriere della Sera.

O Conselho de Ministros italiano deve adotar nesta sexta-feira medidas para regulamentar severamente a circulação de embarcações na costa.


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