O presidente da comissão de Assuntos Exteriores, Konstantin Kosachov, indicou que o texto do acordo assinado em abril pelos presidentes Dmitri Medveded e Barack Obama seria proposto para uma segunda leitura em meados de janeiro. Já o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, elogiou o trabalho do parlamento, destacando que "nem o Senado americano nem a Duma colocaram o tratado em perigo".
No entanto, ele afirmou que a Rússia está "absolutamente em desacordo" com uma emenda feita pelo senado americano ao tratado START, pois estabelece uma diferença entre a defesa antimísseis e as armas nucleares estratégicas.
"Há na resolução que indica que os dispositivos da introdução ao tratado não criam uma obrigação jurídica para a Rússia e os Estados Unidos", destacou o chefe da diplomacia russa na Duma. "É precisamente aí que está inscrito o vínculo entre o START e a defesa antimísseis, assim como a influência do START no armamento no nuclear e sobre a estabilidade estratégica", completou Lavrov. "É uma interpretação arbitrária dos princípios e normas do direito internacional."
Medvedev não fez comentários sobre a emenda feita pelo senado dos Estados Unidos durante uma entrevista à televisão russa, limitando-se a felicitar seu colega americano por "conseguir impor um documento sumamente importante em condições difíceis".
Tratado prevê redução de 30% das ogivas
O tratado START (sigla em inglês para Tratado para a Redução de Armas Estratégicas) foi assinado em 8 de abril de 2010 pelos presidentes dos Estados Unidos e Rússia, Barack Obama e Dmitri Medvedev, respectivamente, e limita as armas nucleares estratégicas - mísseis nucleares de longo alcance, entre outras - nos dois países.
Assinado por um período de 10 anos, o acordo prevê um máximo de 1.550 ogivas nucleares em cada um dos países, contra as 2.200 atuais, o que representa uma redução de 30%. O texto prevê ainda a retomada das verificações mútuas dos arsenais nucleares por parte das duas potências, que foram interrompidas no fim de 2009.