O cônsul do Haiti em São Paulo, George Samuel Antoine, pediu desculpas nesta sexta-feira pelas declarações desastrosas dadas sobre o terremoto em seu país e a religiosidade dos haitianos. Ele argumentou que não fala português direito ao explicar sua fala de que a tragédia "está sendo boa" ao colocar o país caribenho no centro das atenções.
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Enquanto conversava com um repórter do SBT, Antoine disse que o terremoto teve seu lado positivo. “A desgraça de lá (Haiti) está sendo uma boa para a gente aqui, fica conhecido”, declarou. Sem saber que estava sendo gravado, ele relacionou a tragédia à religiosidade de origem africana, o vodu, praticada no Haiti.
“Acho que de tanto mexer com macumba, não sei o que é aquilo... O africano em si tem maldição. Todo lugar que tem africano lá tá f....”,disse.
Nesta sexta-feira o o embaixador do Haiti no Brasil, Idalbert Pierre-Jean, classificou de "idiota" a declaração de Antoine. Em entrevista ao R7 ele revelou que o Itamaraty entrou em contato com ele e pediu uma "conversa dura" com o cônsul.
O consulado soltou uma nota. Veja a íntegra:
"Diante do trágido acontecimento que atingiu o Haiti e que abalou o mundo, o senhor cônsul Jorge Samuel Antoine, no calor dos fatos e, principalmente por possuir centenas de parentes naquele país, sobre os quais tem poucas informações, sabendo que estão desaparecidos, provavelmente mortos, em comentário teve seus dizeres interpretados de maneira deturpada.
Lamentamos profundamente o fato ocorrido apresentado pelo SBT em 14 de janeiro, sendo que a divulgação de pequena parte da conversa levou a uma interpretação equivocada que ora se esclarece. Vez que a a frase expressada pelo senhor cônsul do Haiti em São Paulo, fazia parte do contexto de uma conversa quem mantinha com um cidadão, que aparece na entrevista, o qual não é repórter e sim presidente do Conselho do Instituto Americano de Pesquisa, Medicina e Saúde Pública. Trata-se do sr. Dr. Roberto Marton. E estava naquele momento disponibilizando uma ajuda humanitária, organizando recrutamento de voluntários profissionais da saúde. O Dr. Roberto esteve naquele país meses atrás, com o próprio cônsul, assinando um protocolo de cooperação técnica na área da saúde da mulher.
A dificuldade do Sr. cônsul na utilização da língua portuguesa, levou-o a um erro de expressão. Na verdade, a intenção foi enfatizar que o trágico acontecimento no Haiti fez com que o mundo todo voltasse os olhos para os problemas do seu povo. Inclusive aqui no Brasil, possibilitando assim, maior ajuda humanitária para a reconstrução do país. Nunca, teve a intenção de promoção pessoal, e sim, a intenção de difundir as dificuldades enfrentadas pela sua gente, que grande parte da população vive abaixo da linha da pobreza, sempre em busca de maior ajuda mundial.
O Sr. cônsul, nasceu em Porto Príncipe, possui familiares de origem africana, seu bisavô Philippe Guerrier, da raça negra, foi presidente do Haiti (1844/45); sendo que o Sr. Antoine veio para o Brasil, e em 1975, foi nomeado cônsul.
Esclarece, que em nenhuma oportunidade tomou atitude racista, tendo se expressado, tão somente, que os povos de origem africana são sofredores em várias regiões do mundo. O cônsul jamais criticou a religião africana, mantendo grande respeito por todos os tipos de crenças pela própria característica do seu país.
O cônsul-geral do Haiti em São Paulo pede desculpas a quem de alguma maneira tenha se sentido ofendido.
Consulado Geral Ad.H. do Haiti em São Paulo”
As informações são do R7.
Cônsul do Haiti se desculpa após fala desastrosa
Ele disse que tragédia foi "boa" para mostrar país. Embaixador classificou fala de "idiota"