O Conselho de Segurança da ONU iniciou nesta quinta-feira, 30, o processo de seleção do futuro secretário-geral da organização, com uma primeira votação indicativa que colocou a costarriquenha Rebeca Grynspan na liderança entre os sete candidatos que disputam o cargo. Os 15 Estados-membros do Conselho reuniram-se a portas fechadas pela manhã para atribuir, de forma anônima, a cada candidato uma das seguintes avaliações: "recomendar", "desaconselhar" ou "sem opinião".
Rebeca Grynspan, ex-vice-presidente da Costa Rica e chefe da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), de 70 anos, recebeu o maior número de avaliações favoráveis, segundo fontes diplomáticas.
Grynspan ficou à frente da ex-ministra das Relações Exteriores da Guiana, Carolyn Rodrigues-Birkett, a mais jovem entre os candidatos, com 52 anos, e do diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o argentino Rafael Grossi, de 65 anos.
Também disputam o cargo a ex-presidente chilena Michelle Bachelet, a equatoriana María Fernanda Espinosa, o ugandense Olara Otunnu e o senegalês Macky Sall. Outros candidatos poderão entrar na disputa posteriormente para suceder António Guterres, cujo segundo mandato de cinco anos termina em 31 de dezembro de 2026.
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Essa "votação indicativa", que serve principalmente para "identificar candidatos que não são viáveis", marca o início de um processo de seleção que ainda pode durar vários meses, segundo Richard Gowan, do International Crisis Group.
Alguns criticam essa votação preliminar por sua falta de transparência. O procedimento foi introduzido no início da década de 1980, em uma tentativa de romper um impasse entre dois candidatos cujas candidaturas haviam sido bloqueadas por vetos.
Poucos se arriscam a prever o resultado, já que, na prática, o destino dos candidatos está nas mãos dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança - Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido -, que ainda não manifestaram suas preferências.
Seguindo uma tradição de alternância geográfica, que nem sempre é respeitada, a América Latina reivindica o cargo desta vez, o que explica por que a maioria dos candidatos é da região. Muitos Estados também defendem que, pela primeira vez, uma mulher assuma a chefia da ONU.