O candidato de esquerda à presidência da Colômbia, Iván Cepeda, afirmou nesta quinta-feira, 11, à AFP estar disposto a fazer as mudanças que forem "necessárias" na política de paz do presidente Gustavo Petro, da qual ele próprio foi um dos artífices.
A continuidade da chamada "paz total", com a qual o governo tentou negociar com os grupos armados em meio a um pico de violência, é uma das propostas mais controversas do senador governista de 63 anos para o segundo turno de 21 de junho.
Seu rival, o ultradireitista Abelardo de la Espriella, promete linha dura contra o crime. "Nós vamos fazer as mudanças necessárias, é claro", "faremos um balanço", afirmou Cepeda durante entrevista em Bogotá, a dez dias do segundo turno contra o advogado milionário de 47 anos.
Acordo nacional e "paz total"
Cepeda, filósofo e defensor dos direitos humanos, afirmou que essas modificações na política de paz surgirão de um "acordo nacional" com diferentes atores políticos e sociais do país, embora não tenha dado mais detalhes.
Petro ofereceu uma oportunidade de paz a guerrilhas, paramilitares e outros narcotraficantes, como o poderoso cartel do Clã do Golfo e os rebeldes do ELN.
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No entanto, a dois meses de deixar o poder, em 7 de agosto, nenhuma dessas conversas chegou a acordos concretos. Os grupos ilegais mais importantes aumentaram seu número de integrantes e desafiaram o governo com múltiplos ataques com drones e carros-bomba, em meio ao pior pico do conflito armado desde que a guerrilha Farc assinou a paz, em 2016.
Cenário político e propostas
Cepeda promete manter essa política de negociação em meio a críticas da oposição e alertas de defensores dos direitos humanos sobre a deterioração da situação humanitária em extensos territórios. "Eu serei promotor de uma política de paz", acrescentou Cepeda.
Na campanha para o segundo turno, a esquerda retirou sua proposta de convocar uma Assembleia Nacional Constituinte em uma tentativa de se aproximar de parte dos eleitores de centro.
De la Espriella, cujas principais bandeiras são a construção de megapresídios e os bombardeios militares, promete se aliar aos Estados Unidos para atingir as máfias. O presidente americano, Donald Trump, anunciou seu apoio ao advogado.